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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Julgar é Fácil

Eram dois casais vizinhos, muito amigos, com 2 filhos cada.


O primeiro vizinho comprou um coelhinho para os filhos. E, claro, coisas de criança, como os seus vizinhos compraram um animal, as outras também queriam um para a sua casa, então o pai resolveu comprar um cãozinho pequeno, um pastor alemão.

Assim que o primeiro vizinho se apercebeu de que animal o outro amigo tinha comprado, muito preocupado foi logo falar com ele:

- Mas, António, este cão vai comer o nosso coelho e os nossos filhos vão ficar muito tristes, só vais arranjar problemas com isso.

- Não, não acredito, tenho a certeza que não. Imagina. O meu pastor alemão é ainda bebé pequeno, como o teu coelhinho. Vais ver que eles vão crescer juntos, e afeiam-se logo de pequenos um ao outro, confia em mim, pois eu percebo de animais.

E parece que o António tinha razão. Juntos cresceram e amigos ficaram.

Era normal ver o coelho no quintal do cão e vice-versa.

Eis que o João, dono do coelho, foi passar um fim-de-semana na praia com a família, e não levou o coelho consigo, como era habitual. No Domingo à tarde, quando a família do António estava a comer um lanche digno de Domingo, entra o pastor alemão na cozinha. Toda a família quase paralisou quando viu que o cão, de cabeça em baixo, olhos semi-serrados e tristes, trazia o coelho entre os dentes todo imundo, arrebentado, cheio de terra e, é claro, morto.

Após este cenário, o dono furioso, quase matou o cão de tanta agredi-lo e, como bom amigo do homem que este animal sempre é, foi para o quintal a ganir e lamber as suas feridas, sem se voltar contra o dono.

Este, o António, estava agora preocupado com que o João lhe tinha dito, pois ele estava certo – E agora? Só podia dar nisso! Como eu fui burro! Dizia ele. – Já pensaram como vão ficar as crianças? Continuou.

Não se sabe exactamente quem teve a ideia, mas parecia infalível:

Vamos lavar o coelho, deixá-lo limpinho, depois vamos seca-lo com o secador e o coloca-lo de novo na sua casinha. E assim fizeram.

Até perfume colocaram no animalzinho. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças.
No final do dia, pela tardinha, ainda o sol brilhava, chegaram os vizinhos. Logo depois ouvem-se os gritos das suas crianças. – Descobriram!

Não passaram cinco minutos, e o João veio bater à porta, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.

- O que foi? Que cara é essa João? Deixa-me tentar explicar! Disse o António a gaguejar, receando já o pior.

- O coelho, o coelho. Diz o outro.

 - Pois o coelho!... António não sabia como começar, pois eram muitos anos de amizade
- Morreu! Disse o João que continuou a falar - Morreu na sexta-feira! Foi antes de viajarmos, as crianças o enterraram no fundo do quintal e agora reapareceu na sua casinha… não quisemos dizer nada antes de termos partido para a praia para não vos entristecer durante este fim-de-semana…
A história termina aqui. O que aconteceu depois não importa.
Mas a grande personagem desta história é o cão. Imaginem o coitado, desde sexta-feira a procurar em vão pelo seu amigo de infância. Depois de muito farejar, descobre o corpo morto e enterrado. O que faz ele... Provavelmente levado pelo seu instinto, desenterra o amigo e vai mostra-lo aos seus donos, imaginando fazer ressuscitá-lo.

O ser humano, no entanto, continua o mesmo, sempre a julgar os outros...

Outra lição que podemos tirar desta história é que o homem tem a tendência de julgar os factos sem antes verificar o que de facto aconteceu.

Quantas vezes tiramos conclusões erradas das situações. Achando-nos donos da verdade? Histórias como esta são para pensarmos bem nas atitudes que tomamos.

"A vida tem quatro sentidos: amar, sofrer, lutar e vencer".

Então: AME muito, SOFRA pouco, LUTE bastante e VENÇA sempre que possível... mas não julgue diante da primeira impressão, visão ou do primeiro comentário.

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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

É Natal, vale a pena pensar.

Num oásis escondido numa das mais longínquas paisagens do deserto, encontrava-se o velho Ibn Ammar(1), de joelhos, ao lado de umas palmeiras de tâmaras.

O seu vizinho Al-Mu’tadid(2), o endinheirado mercador, deteve-se no oásis para descansar os camelos e viu Ibn Ammar a transpirar, enquanto cavava na areia.

- Então, velho? Que a paz esteja contigo.
- E contigo - respondeu Ibn Ammar, sem abandonar a sua tarefa.
- Que fazes aqui, com este calor e com essa pá nas mãos?
- Estou a semear - disse o velho.
- Que semeias aqui, Ibn Ammar?
- Tâmaras - disse Ibn Ammar, apontando para as palmeiras à sua volta.
- Tâmaras! - Repetiu o recém-chegado. E fechou os olhos como quem escuta a maior estupidez do mundo, com compreensão. - O calor prejudicou-te o cérebro, querido amigo. Vem, deixa essa tarefa e vamos à loja beber um copo de licor.
- Não, tenho de acabar de semear. Depois, se quiseres, vamos beber um copo...
- Diz-me, amigo. Quantos anos tens?
- Não sei... Sessenta, setenta, oitenta... Não sei... Esqueci-me. Mas que importância tem isso?
- Olha, amigo. As tamareiras demoram mais de cinquenta anos a crescer e só quando se transformam em palmeiras adultas estão em condições de dar fruto. Não te desejo mal, como sabes.

Oxalá vivas até aos cento e um anos, mas tu sabes que dificilmente poderás colher o que semeias hoje. Deixa isso e vem comigo.

- Olha, Al-Mu’tadid. Comi as tâmaras que outra pessoa semeou, outra pessoa que também sonhou em comê-Ias. Eu semeio, hoje, para que outros possam comer, amanhã, as tâmaras que estou a plantar... E nem que seja em honra desse desconhecido, vale a pena terminar a minha tarefa.

- Deste-me uma grande lição, Ibn Ammar. Deixa-me pagar-te com um saco de moedas esta lição que hoje me deste. - E, dizendo isto, Al-Mu’tadid pôs na mão do velho um saco de couro.

- Agradeço-te as moedas, amigo. Como vês, às vezes acontecem coisas destas: o teu prognóstico é que eu não chegarei a colher o que semeei. Parece verdade e, no entanto, olha, ainda não acabei de semear e já colhi um saco de moedas e a gratidão de um amigo.

- A tua sabedoria espanta-me, velho. Esta é a segunda grande lição que hoje me dás e talvez seja mais importante ainda do que a primeira. Deixa-me pagar-te também por essa lição com outro saco de moedas.

- Às vezes acontecem coisas destas - prosseguiu o velho, e estendeu a mão, olhando para os dois sacos de moedas: - Semeei para não colher e, antes de acabar de semear, colhi não uma, mas duas vezes.

- Chega, velho. Não continues a falar. Se continuares a ensinar-me coisas, tenho medo que toda a minha fortuna não seja suficiente para te pagar...

Semeamos hoje para colher amanhã. O mal do homem é pensar que consegue alcançar sempre tudo nesta vida. Eu não creio que em toda a minha vida, por mais longa que imagine chegar a desfrutar de uma plenitude. Talvez num outro NATAL qualquer, quem sabe alguém vá saborear uma tâmara que hoje neste Natal tu plantaste.

(1) e (2) Os nomes árabes que utilizei nesta história, Ibn Ammar e Al-Mu’tadid, foram em homenagem a dois grandes poetas árabes da região, o primeiro de Estombar e o segundo de Silves.

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contado por Jorge Oliveira às 21:33

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