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Domingo, 9 de Março de 2008

ABRE UMA NOVA JANELA

Conta-se que uma certa menina tinha um lindo cãozinho de estimação.


Ela devotava muito carinho e atenção por ele. Todos os dias, ao cair da tarde, ficava na varanda de sua casa, olhando seu cãozinho brincar. Certo dia, ao voltar da escola, percebeu um movimento intenso e algo estranho no ar...
- O que houve? Perguntou à sua mãe. O cãozinho morrera, um carro o atropelou e o matou.

 Que tragédia, para aquela menina! Após uns dias isolada no quarto, alimentando sua tristeza, ela passou a adoptar um comportamento estranho. Todos os dias, ao cair da tarde, ficava na janela do seu quarto, olhando para o portão da casa, numa ingénua ilusão, esperando ver seu cãozinho voltar. Assim ficou por muitos dias.

 Até que, seu pai com o coração partido por ver a filha assim, tomou-a nos braços e disse:
- Filha, lá em nosso jardim nasceu uma linda flor. Anda, vem comigo contemplá-la desta nova janela, porque nesta, onde vens todos os dias, tu não a consegues ver, anda, vamos abrir aquela e mudar de janela!
Nossa existência é semelhante a uma casa de muitas janelas, que possibilita a contemplação de várias paisagens.

 

O problema é que muitos fazem da vida uma casa de uma única janela. E ali, ficam debruçadas, por anos.

Quando alguém age assim, o foco da sua atenção fica limitado, possibilitando-o de ver outras paisagens. Na vida, às vezes, temos que mudar de janela, para contemplar o novo ao nosso redor.

Uma janela que precisa ser fechada é a do ressentimento.

Quem fica debruçado sobre esta janela olha a vida pelo ângulo da amargura, do desencanto, da tristeza profunda.

A pessoa ressentida, perde a confiança no amor, não investe em novos relacionamentos, fecha as portas para o perdão e tem visão muito negativa da vida.

Muda de janela!

Outra janela que precisa ser fechada é a do medo.

O medo é um mal terrível. Milhares de pessoas estão fixadas nesta janela.

Somente vêem os perigos, os obstáculos, as dificuldades. Na mente delas não existem sonhos, só pesadelos, o que estes têm de bom é que nos possibilitam acordar.

Quem fica a olhar a vida através da janela do medo, só contempla o caos.

Troca a janela do medo, pela da coragem. Ela desperta em nós a determinação e o optimismo.

Medo é a derrota antecipada. Terrível é a vida dos que se fixaram na janela do passado. Não vêem nada em sua frente a não ser motivos para se lamentar.

Quem vive debruçado sobre o passado não consegue vislumbrar o futuro.

Muda de janela!

Mude para a janela da esperança.

Ela nos faz sonhar com dias melhores.

Quem quer vencer na vida, precisa ter a reflexão no passado, os pés no presente e os olhos no futuro, e caminhar sempre nesse direcção!... Muda de janela e vê que tu não está só.

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contado por Jorge Oliveira às 17:02

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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

De Quem Gostamos Afinal?

Eu estava correndo e de repente um estranho tropeçou em mim:
- "Oh, desculpe”, foi a minha primeira reacção.
E ele disse:
- "Ah, de nada. Quem tem que pedir desculpas sou eu, pois fui eu quem não vi o senhor!"
Nós fomos muito educados um com o outro, aquele estranho e eu.
Até que então, despedimo-nos e cada um foi para seu lado.
Mas em nossa casa, acontecem histórias diferentes.
Como nós tratamos aqueles que amamos...???
Mais tarde naquele dia, eu estava fazendo o jantar e meu filho pôs-se ao meu lado, tão silenciosamente que eu nem percebi. Quando eu me virei, apanhei um grande susto, pois quase o queimava e comecei logo a ralhar com ele.
"Sai já daqui, antes que leves uma palmada!"
E eu disse aquilo com certa agressividade.

E ele foi embora, com os seus grandes olhos, já vertendo algumas lágrimas, certamente com seu pequeno coração destroçado.

Eu nem imaginava como tinha sido áspero com ele.

À noite, quando me fui deitar, dei comigo a pensar sobre o sucedido, pois, não estava de consciência tranquila, e disse para mim mesmo:
"Quando falava com um estranho, fui o mais amável possível!

Mas com seu filho, a criança que eu amo, eu nem sequer me preocupei com isso!
Não tinha reparado logo que no chão da cozinha, estava uma moldura com a sua foto.
Ele ficou quietinho para não estragar a surpresa e eu ralhei com ele.

Nesse momento, eu senti-me muito pequeno. E agora, era o meu coração que tinha ficado destorcido. Então, levantei-me e eu fui até a cama dele, ajoelhando-me a seu lado.
- "Acorda filhinho, esta é a moldura que tu me trouxeste?"

Ele sorriu:

- "Fui eu que a fiz para te oferecer.
Eu fiz-a, para tu colocares na tua secretária e te lembrasses de mim todos os dias!"
Eu disse:

- "Filho, eu sinto muito pela maneira como agi hoje. Desculpa! Eu não devia ter gritado contigo daquela maneira."
-"Não faz mal, pai, eu sei que tu às vezes te zangas comigo!"

Todos nós devemos parar para pensar que, se morrermos amanhã, a empresa para qual trabalhamos poderá facilmente nos substituir em uma questão de dias.

Mas as pessoas que nos amam, a família que deixamos para trás, sentirão essa perda para o resto de suas vidas?

E nós raramente paramos para pensar nisso.
Às vezes colocamos nosso esforço em coisas muito menos importantes que a nossa família, os nossos amigos, as pessoas que nos amam, e não nos damos conta do que realmente estamos perdendo.
Perdemos o tempo de sermos carinhosos, de dizer um "Eu te amo", de dizer um "Obrigado", de dar um sorriso, ou de dizer o quanto cada pessoa é importante para nós.
Ao invés disso, muitas vezes agimos com rudeza, e não percebemos o quanto isso magoa realmente quem gosta mesmo de nós

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

A importância de um amigo

Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta:
- O que de mais importante já fez na sua vida?

A resposta veio-me à mente na hora, mas não foi a que respondi, pois, as circunstâncias, não eram apropriadas.

No papel de advogado da indústria do espectáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades.

Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não o via.
Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um.
Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebé.

Enquanto jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe disse que seu bebé parara de respirar e que fora levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.

Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer:

Seguir o meu amigo ao hospital? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente estaria sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.

Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse.

A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo. Quando dei à chave do meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto aos campos de ténis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.

Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam.
Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer.

Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebé.

Durante os instantes que ficaram abraçados - a mim pareceu uma eternidade - choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor.

O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança.

Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta.

Ao me ver ali, aquela mãe abraçou-me e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse:

- Muito Obrigado por estar aqui!

Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebé, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida. Aquela experiência me deixou três lições:

 

Primeira, o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, mas nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e eu nada poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.


Segunda, estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como fazia na profissional.

Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que
deveria ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhado meu amigo ao hospital.


Terceira, Aprendi que a vida pode mudar num instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro num piscar de olhos.


Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, dissolver um casamento ou passar um dia festivo longe da família.

E aprendi que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras.

O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

Esta história foi-me enviada num daqueles emails que gostamos enviar aos amigos, não sei se a mesma é verídica e qual o seu autor, este facto, no entanto, para mim é insignificante, que me desculpe quem a escreveu, mas essa pessoa saberá o que realmente importa, não é o nome do autor, nem a autenticidade. Ela terá sempre um autor e será sempre verdadeira, porque a qualquer altura ela pode fazer, de uma forma ou de outra, parte da nossa existência. Apesar de uma história bastante triste, ela me deu a alegria de compreender um outro lado da vida e aprender a sorrir sempre diante uma amizade.

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contado por Jorge Oliveira às 19:28

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

S. Valentim

As comemorações de 14 de Fevereiro, dia de S. Valentim, como dia dos namorados, têm várias explicações – umas de tradição cristã, outras de tradição romana, pagã.
A Igreja Católica reconhece três santos com o nome Valentim, mas o santo dos namorados pensa-se ter vivido no século III, em Roma, tendo morrido como mártir no ano 270. Em 496, o papa Gelásio reservou o dia 14 de Fevereiro ao culto de S. Valentim.
Valentim era um sacerdote cristão contemporâneo do imperador Cláudio II. Cláudio queria constituir um exército romano grande e forte; não conseguindo levar muitos romanos a alistarem-se, acreditou que tal sucedia porque os homens não se dispunham a abandonar as suas mulheres e famílias para partirem para a guerra. E a solução que encontrou… foi proibir os casamentos dos jovens! Valentim ter-se-á revoltado contra a ordem do imperador e, ajudado por S. Mário, terá casado muitos casais em segredo. Quando foi descoberto, foi preso, torturado e decapitado a 14 de Fevereiro.
A lenda tem ainda algumas variantes que acrescentam pormenores a esta história. Segundo uma delas, enquanto estava na prisão Valentim era visitado pela filha do seu guarda, com quem mantinha longas conversas e de quem se tornou amigo. No dia da sua morte, ter-lhe-á deixado um bilhete dizendo «Do teu Valentim».
Quanto à tradição pagã, pode fundir-se com a história do mártir cristão: na Roma Antiga, celebrava-se a 15 de Fevereiro (que, no calendário romano, coincidia aproximadamente com o início da Primavera) um festival, os Lupercalia. Na véspera desse dia, eram colocados em recipientes pedaços de papel com o nome das raparigas romanas. Cada rapaz retirava um nome, e essa rapariga seria a sua «namorada» durante o festival (ou, eventualmente, durante o ano que se seguia).
Com a cristianização progressiva dos costumes romanos, a festa de Primavera, comemorada a 15 de Fevereiro, deu lugar às comemorações em honra do santo, a 14 de Fevereiro.
Há também quem defenda que o costume de enviar mensagens amorosas neste dia não tem qualquer ligação a S. Valentim, mas deve-se ao facto de assinalar o princípio da época de acasalamento das aves.
Com o decorrer do tempo, o dia 14 de Fevereiro ficou marcado como a data de troca de mensagens amorosas entre namorados, sobretudo em Inglaterra e na França – e, mais tarde, nos Estados Unidos. Neste último país, onde a tradição está mais institucionalizada, os cartões de S. Valentim já eram comercializados no início do século XIX. Actualmente, o dia de S. Valentim é comemorado em muitos países do mundo como pretexto para os casais de namorados trocarem presentes.
E vai a Lenda do dia de hoje...... e a que eu gostei mais foi a do "principio da época de acasalamento das aves" .... um pouco de humor sórdido.....

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contado por Jorge Oliveira às 15:34

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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Julgar é Fácil

Eram dois casais vizinhos, muito amigos, com 2 filhos cada.


O primeiro vizinho comprou um coelhinho para os filhos. E, claro, coisas de criança, como os seus vizinhos compraram um animal, as outras também queriam um para a sua casa, então o pai resolveu comprar um cãozinho pequeno, um pastor alemão.

Assim que o primeiro vizinho se apercebeu de que animal o outro amigo tinha comprado, muito preocupado foi logo falar com ele:

- Mas, António, este cão vai comer o nosso coelho e os nossos filhos vão ficar muito tristes, só vais arranjar problemas com isso.

- Não, não acredito, tenho a certeza que não. Imagina. O meu pastor alemão é ainda bebé pequeno, como o teu coelhinho. Vais ver que eles vão crescer juntos, e afeiam-se logo de pequenos um ao outro, confia em mim, pois eu percebo de animais.

E parece que o António tinha razão. Juntos cresceram e amigos ficaram.

Era normal ver o coelho no quintal do cão e vice-versa.

Eis que o João, dono do coelho, foi passar um fim-de-semana na praia com a família, e não levou o coelho consigo, como era habitual. No Domingo à tarde, quando a família do António estava a comer um lanche digno de Domingo, entra o pastor alemão na cozinha. Toda a família quase paralisou quando viu que o cão, de cabeça em baixo, olhos semi-serrados e tristes, trazia o coelho entre os dentes todo imundo, arrebentado, cheio de terra e, é claro, morto.

Após este cenário, o dono furioso, quase matou o cão de tanta agredi-lo e, como bom amigo do homem que este animal sempre é, foi para o quintal a ganir e lamber as suas feridas, sem se voltar contra o dono.

Este, o António, estava agora preocupado com que o João lhe tinha dito, pois ele estava certo – E agora? Só podia dar nisso! Como eu fui burro! Dizia ele. – Já pensaram como vão ficar as crianças? Continuou.

Não se sabe exactamente quem teve a ideia, mas parecia infalível:

Vamos lavar o coelho, deixá-lo limpinho, depois vamos seca-lo com o secador e o coloca-lo de novo na sua casinha. E assim fizeram.

Até perfume colocaram no animalzinho. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças.
No final do dia, pela tardinha, ainda o sol brilhava, chegaram os vizinhos. Logo depois ouvem-se os gritos das suas crianças. – Descobriram!

Não passaram cinco minutos, e o João veio bater à porta, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.

- O que foi? Que cara é essa João? Deixa-me tentar explicar! Disse o António a gaguejar, receando já o pior.

- O coelho, o coelho. Diz o outro.

 - Pois o coelho!... António não sabia como começar, pois eram muitos anos de amizade
- Morreu! Disse o João que continuou a falar - Morreu na sexta-feira! Foi antes de viajarmos, as crianças o enterraram no fundo do quintal e agora reapareceu na sua casinha… não quisemos dizer nada antes de termos partido para a praia para não vos entristecer durante este fim-de-semana…
A história termina aqui. O que aconteceu depois não importa.
Mas a grande personagem desta história é o cão. Imaginem o coitado, desde sexta-feira a procurar em vão pelo seu amigo de infância. Depois de muito farejar, descobre o corpo morto e enterrado. O que faz ele... Provavelmente levado pelo seu instinto, desenterra o amigo e vai mostra-lo aos seus donos, imaginando fazer ressuscitá-lo.

O ser humano, no entanto, continua o mesmo, sempre a julgar os outros...

Outra lição que podemos tirar desta história é que o homem tem a tendência de julgar os factos sem antes verificar o que de facto aconteceu.

Quantas vezes tiramos conclusões erradas das situações. Achando-nos donos da verdade? Histórias como esta são para pensarmos bem nas atitudes que tomamos.

"A vida tem quatro sentidos: amar, sofrer, lutar e vencer".

Então: AME muito, SOFRA pouco, LUTE bastante e VENÇA sempre que possível... mas não julgue diante da primeira impressão, visão ou do primeiro comentário.

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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

O Diamante Escondido

Esta, é de certo a maior prenda que vos posso oferecer, quer em escrita (bastante grande) quer em sentimento, não deixando, por isso de ser apenas uma pequena lembrança. Peço desculpa, desde já, a quem não gosta de ler, pois não V/ poderei oferecer mais nada.
Num país longínquo, vivia um camponês.

Ele era dono de um pequeno pedaço de terra, no qual cultivava cereais, e de um jardinzinho que fazia as vezes de horta, onde a sua mulher plantava umas quantas hortaliças para ajudar no parco orçamento familiar.

Um dia, enquanto trabalhava no campo, puxando com o seu próprio esforço um rudimentar arado, viu entre os bocados de terra uma coisa que brilhava intensamente. Quase desconfiado, aproximou-se e pegou nela. Era uma espécie de vidro enorme. Ficou surpreendido com o seu brilho ofuscante quando os raios de sol incidiam nele. Percebeu que se tratava de uma pedra preciosa e que devia ter um grande valor.

 Por instantes, a sua cabeça começou a sonhar com tudo o que poderia fazer se vendesse o brilhante, mas depois pensou que aquela pedra era uma espécie de oferta do céu e que devia cuidar dela e usá-la apenas em caso de emergência.

O camponês terminou a sua tarefa e voltou para casa, levando consigo o diamante.

Teve medo de guardar a jóia em casa, portanto, quando anoiteceu, saiu para o jardim, fez um buraco na terra, entre os tomateiros, e enterrou o diamante. Para não se esquecer de onde enterrara a jóia, assinalou o lugar com uma rocha amarelada que encontrou por ali.
Na manhã seguinte, o camponês chamou a mulher, mostrou-lhe a rocha e pediu-lhe para nunca mudar a pedra do sítio. A mulher perguntou-lhe porque é que aquela rocha tinha de ficar no meio da sua horta. O camponês, não se atreveu a contar-lhe a verdade, com medo de preocupa-la, por isso disse-lhe:

- Esta pedra é muito especial. Enquanto estiver nesse lugar, entre os tomateiros, teremos sorte.

A mulher não pôs em causa aquele desconhecido fervor supersticioso do marido e entreteve-se a cuidar dos tomateiros.

O casal tinha dois filhos: um menino e uma menina. Um dia, quando a menina tinha dez anos, perguntou à mãe o que era aquela pedra no jardim.

- É para dar sorte - explicou a mãe. E a menina aceitou a resposta.

Uma manhã, quando a menina ia a sair para a escola, aproximou-se dos tomateiros e tocou na rocha amarelada (naquele dia, tinha um exame muito difícil).
Por mero acaso, ou porque a menina fora para a escola com mais confiança em si, a verdade é que o exame lhe correu muito bem e a menina confirmou, assim, «os poderes» da pedra.

Naquela tarde, quando a pequenita voltou para casa, levou uma pequena pedra amarelada e colocou-a ao lado da outra.
- Que é isso? - perguntou a mãe.
- Se uma pedra dá sorte, duas hão-de dar-nos ainda mais - disse ela, com uma lógica indiscutível.

A partir daquele dia, sempre que a menina encontrava uma daquelas pedras levava-a para junto das anteriores.

Como num jogo de cumplicidades, ou talvez para acompanhar a sua filha, também a mãe começou, pouco tempo depois, a empilhar pedras junto às da filha.

O filho, por seu lado, cresceu com o mito das pedras enraizado na sua vida. Desde pequeno, tinham-lhe ensinado a empilhar pedras amareladas ao lado das anteriores.
Um dia, o menino trouxe uma pedra esverdeada e empilhou-a com as outras...
- Que significa isto, meu filho? - ralhou a mãe.

- Achei que a pilha ia ficar mais bonita com um toque de verde - explicou o rapaz.
- Nem pensar, filho. Tira já essa pedra de junto das outras.
- Porque é que não posso pôr esta pedra verde com as outras? - perguntou o menino, que sempre fora muito rebelde.
- Porque... eh... - balbuciou a mãe (ela não sabia porque é que só as pedras amareladas davam sorte. Lembrava-se apenas das palavras do marido, a dizer que «uma pedra como esta, entre os tomateiros, dá sorte» ).
- Porquê, mamã, porquê?
- Porque... as pedras amareladas só dão sorte se não houver pedras de outras cores por perto - inventou a mãe.
- Não pode ser - contra-argumentou o menino. - Porque é que não hão-de dar sorte estando junto das outras?
- Porque... eh... ah... as pedras da sorte são muito ciumentas.
- Ciumentas? - repetiu o jovem, com uma gargalhada irónica. - Pedras ciumentas? Isso é ridículo!
- Olha, não sei responder a essas perguntas sobre as pedras. Se queres saber mais, pergunta ao teu pai - disse a mãe.
E foi tratar dos seus afazeres, não sem antes tirar a intrusa pedra esverdeada que o rapaz trouxera.

Nessa noite, o menino esperou até tarde que o seu pai voltasse do campo.
- Papá, porque é que as pedras amareladas dão sorte? - perguntou, assim que o pai pôs o pé dentro de casa. - E porque é que as esverdeadas não dão? E porque é que as amarelas
dão menos sorte se houver uma verde por perto? E porque é que têm de estar entre os tomateiros?
...E teria continuado a fazer perguntas sem esperar pelas respostas, se o pai não tivesse levantado a mão a pedir silêncio.
- Amanhã, filho, vamos juntos para o campo e eu respondo às tuas perguntas.
- E porquê só amanhã...? - quis continuar o jovem.
- Amanhã, filho, amanhã - interrompeu o pai.

Na manhã seguinte, muito cedo, quando todos dormiam em casa, o pai aproximou-se do jovem, acordou-o com ternura, ajudou-o a vestir-se e levou-o para o campo.
- Olha, filho. Até agora não te contei isto, porque achava que não estavas preparado para saber a verdade. Mas hoje parece-me que cresceste, que já és um homenzinho e que estás em condições de saber uma coisa e guardar segredo enquanto for necessário.
- Que segredo, papá?

- Já to conto. Todas essas pedras estão entre os tomateiros para marcar um determinado lugar no jardim. Debaixo dessas pedras todas está enterrado um valioso diamante, que é o tesouro desta família. Não quis que ninguém soubesse, porque achei que teriam ficado preocupados. Como agora partilho este segredo contigo, terás a partir de hoje a responsabilidade de guardar o segredo familiar... Um dia, terás os teus próprios filhos e um dia saberás que um deles tem de ser informado do segredo. Nesse dia, levarás o teu filho para longe de casa e contar-lhe-ás a verdade sobre a jóia escondida, como hoje eu te estou a contar a ti.

O pai deu um beijo na face do filho e continuou.
- Guardar um segredo consiste, também, em saber quando é o momento e quem é a pessoa que pode ser digna dele.

Até chegar o dia da escolha, deves deixar que os outros membros da família, todos os outros, acreditem no que quiserem sobre as pedras amarelas, verdes ou azuis.

- Podes confiar em mim, papá - disse o jovem, e esticou-se para parecer mais alto.
...Passaram-se anos. O velho camponês morreu e o jovem fez-se homem. Também teve os seus filhos e, de entre todos eles, houve apenas um que soube, no momento certo, do segredo do brilhante. Todos os outros acreditavam na sorte que as pedras amareladas davam.

Durante anos e anos, geração após geração, os membros daquela família acumularam pedras no jardim da casa. Formara-se aí uma enorme montanha de pedras amareladas, uma montanha que a família honrava como se fosse um enorme talismã infalível.
Só um homem ou uma mulher de cada geração era depositário da verdade sobre o diamante. Todos os outros adoravam as pedras...
Até que um dia, vá-se lá saber porquê, o segredo se perdeu.
Talvez um pai tenha morrido subitamente. Talvez um filho não tenha acreditado na história que lhe haviam contado. A verdade é que, a partir daquele momento, houve quem continuasse a acreditar no valor das pedras e houve, também, quem questionasse aquela velha tradição. Mas nunca mais ninguém se lembrou da jóia escondida...

Este conto de I. L. Peretz, como todas as histórias, ajuda-nos a compreender e a dar sentido à vida. Trazem para bem perto de nós uma realidade que parece tão obscura, e que meramente se ilumina com a sua simplicidade.
Natal é por excelência uma época de luzes. Também nós podemos fazer brilhar uma luz, dando mais significado às pequenas coisas e desligarmos do valor real dos diamantes (pedras preciosas, mas raras).

Todos falamos em simples coisas, mas poucos são aqueles que as sabem encontrar. Um diamante, apesar da sua composição físico-química simples, é uma pedra rara, que às vezes teimamos em procurar.

Este conto mostra-nos que não precisamos de saber a verdadeira essência e grandiosidade das coisas ou das pessoas para podemos viver felizes.

Ptolomeu defendeu a teoria geocêntrica em que o Sol e as estrelas moviam-se em círculos, sendo o centro da trajectória a Terra. Copérnico, defendeu a teoria heliocêntrica, o Sol estaria em repouso e os planetas, incluindo a Terra, giravam em torno dele em órbitas circulares, mais tarde confirmada por Galileu.

Independente da verdade, sempre os nossos antepassados viram os Sol, as estrelas, e a lua, como nós hoje os vemos, e assim continuará a ser por muito mais tempo.

Se um dia dermos um sorriso e ensinarmos aos nossos filhos que aquela lua é a mesma que nos fez sorrir a nós e a eles, no futuro, por mais longe que esteja, mesmo que outra verdade seja, o sol, as estrelas e a lua, serão sempre os mesmos e, se nessa altura, quando alguém sorrir para a lua, como nós fizemos, nós também estaremos sorrindo com essa pessoa.


Eu apenas falei no sol, estrelas e lua, porque se mantêm assim duraste biliões de anos, mas aqui na terra existem as flores, o céu, as pedras e um quase infinito de coisas pequenas que quando as olhamos, seremos aqueles que as irão admirar no futuro, basta, tão pouco, só para isso, transmitir o nosso segredo aos nossos descendentes, para que eles possam sentir nessa altura o mesmo que sentimos, estando assim, a contribuir, para que não aconteça o que eu chamo «a queda do último império» – que são os sentimentos.
Por fim, atrevo-me a dizer, que sentindo tudo isto, estaremos todos perante aeternidade.

Contos por Palavras: , ,
contado por Jorge Oliveira às 21:50

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