mais sobre mim

Pesquisar neste blog

 

Julho 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Contos Recentes

Gladiadores do sec. XXI

FRAGIL CASTELO DE AREIA

Detector de Mentiras

A Loja da Verdade

Arquivos

Julho 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Contos por Palavras

vida(25)

amigos(18)

amor(13)

felicidade(11)

família(9)

solidão(8)

amizade(7)

sonho(7)

criança(4)

historias(4)

verdade(4)

morte(3)

acaso(2)

animais(2)

atenção(2)

crença(2)

destino(2)

ensinar(2)

esperança(2)

humanas(2)

lei(2)

pascoa(2)

paz(2)

portugal(2)

querer(2)

relaçôes(2)

simplicidade(2)

actor(1)

aventura(1)

azar(1)

contos(1)

dar(1)

diferença(1)

(1)

filho(1)

honestidade(1)

igualdade(1)

julgar(1)

justiça(1)

lenda(1)

liberdade(1)

mar(1)

mentira(1)

namorados(1)

natal(1)

pai(1)

pátria(1)

receber(1)

salazar(1)

sorte(1)

teatro(1)

tempo(1)

trabalho(1)

viagens(1)

todas as tags

Leitores de Histórias:

Counters
Counters

Quantos estão nos contos:

a ler
blogs SAPO

subscrever feeds

Sábado, 29 de Março de 2008

Gladiadores do sec. XXI

 

Nas civilizações primitivas, os homens lutavam e matavam-se à paulada.

Até há cerca de
2000 anos, durante seis séculos, imperadores romanos promoveram, como entretenimento da plateia dos coliseus, as lutas dos gladiadores, entre si ou contra animais ferozes. Estas lutas eram um espectáculo preferido dos romanos, e o duelo só terminava quando um deles morria, ficava desarmado ou ferido sem poder combater. Nesse momento do combate é que era determinado por quem presidia aos jogos, se o derrotado morria ou não, frequentemente influenciado pela reacção dos espectadores do duelo.

Hoje ainda vemos os animais a lutar uns contra os outros. Destroçam-se, matam-se e... comem-se, é natural, para manterem o seu domínio, o seu território, a sua liderança, a sua sobrevivência e a continuação da sua espécie.

Mas, nós, os Homens, tornamos em gladiadores "civilizados" do século XXI. No palco do coliseu das sociedades, as lutas continuam, só que à maneira das lutas "civilizadas", agindo como os nossos antepassados (fomos bem ensinados).

Os homens de hoje, elegantemente vestidos, com gravatas de seda, fatos caros, camisas finas e de marcas elegantes, demagogas e estereotipadas frases e formas externas bem cuidadas e estudadas, ferem e esmagam os seus opositores sem piedade. Não tão com não menos crueldade, selvagismo e ódio dos imperadores romanos ou de um animal não civilizado. Mas, fazem tudo "civilizadamente". A lei da selva continua de pé.

O mais forte destrói o mais fraco. Há que fazer tudo "civilizadamente". Há que portar-se "civilizadamente". Há que matar-se "civilizadamente". Hoje fazemos tudo "civilizadamente". Dão-se falsas desculpas e mente-se "civilizadamente". Atropelam-se os outros "civilizadamente". Rouba-se "civilizadamente"…

Quanto mais débil e vulnerável é a presa, mais se enfurece o caçador, há que fazer agressão para mostrar a sua força.

Passar por cima de tudo e de todos, ganhar todas as batalhas do dinheiro, tornou-se mais importante do que salvar uma vida, ter amizade e dar atenção a alguém que possa precisar.

Organizações mundiais contra a fome, e dos direitos humanos são constituídas, todos nós tentamos de alguma forma contribuir com algo, dão-se modelos económicos e normas de conduta, falamos e tornamos a falar, contudo, perguntamos: - Porque enriquecem os mais poderosos? Porque, cada vez mais, há pobres a serem engolidos e absorvidos numa triste e cruel miséria?

O mais grave em todo este panorama do nosso mundo "civilizado", é que nos acostumamos a isso, e quase não nos impressiona nem nos preocupa. Sem dar-nos conta, não fazemos mais do que os antigos espectadores das plateias dos coliseus, aplaudimos e depois, decidimos quem vai morrer ou continuar a viver.

Contos por Palavras: , , , , ,
contado por Jorge Oliveira às 12:34

link do Conto | o que conta sobre este conto? | favorito
|
Quinta-feira, 27 de Março de 2008

FRAGIL CASTELO DE AREIA

 

Era uma vez uma menina. Menina essa que era o centro do mundo. Talvez não o fosse, mas sentia que a ela pertencia... Essa menina sempre teve rios de amor à sua volta, mares de sorrisos, cascatas de beijos... essa menina só podia ser feliz. E era! Era uma menina feliz ...

Essa menina abusava na sua oferta. Dava o que tinha e o que não tinha. Essa menina tinha castelos e nele punha todo o seu mundo. Essa menina era médica e curava todos os seus povos. Essa menina era Rainha, e sempre havia festa no seu reino. A menina era por vezes “condenada” por metralhar o seu mundo de beijos e abraços.

Mas não seria essa a essência da menina?! Uma fragrância de flores, coberta de beijos ... fustigada a abraços. A menina tinha o titulo do Riso! O mundo parava se não estava a rir ... Uma dia parou E então a menina viu que, na verdade, só ela tinha parado. Essa menina foi crescendo. O encanto dela nunca se perdeu e ás vezes ainda se apercebe que pode ser um “pequeno mundo” de alguém ... Pobre menina. Pobre menina crescida que se tornou em anémona. Com o toque retrai ... Pobre menina crescida que foge com o olhar ... Pobre menina crescida que para um estranho lugar foi viver. Sem castelos, rios ou cascatas ... Pobre menina crescida que deixou de brincar e sonhar ... O seu mundo ainda se move a risos... Veio uma onda e levou-lhe o castelo...

(continua no post seguinte, do dia 28.MAR)...

 

 

Contos por Palavras: , ,
Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Detector de Mentiras

Há muitos anos, quando apareceu no mundo o primeiro detector de mentiras, todos os advogados e estudiosos do comportamento humano ficaram fascinados. O aparelho baseia-se numa série de sensores que detectam as variações fisiológicas da transpiração, contracções musculares, variações de ritmo cardíaco, tremores e movimentos oculares, que ocorrem em qualquer indivíduo quando mente.

 Naquela época, as experiências com a «máquina da verdade», como se lhe chegou a chamar, proliferavam por toda a parte.

Um dia, um advogado decidiu fazer uma investigação muito peculiar. Levou a máquina para o hospital psiquiátrico da cidade e sentou diante dele um paciente internado: J. C. Jones. O senhor Jones era psicótico e, nos seus delírios, garantia que era Napoleão Bonaparte.

Talvez por ter estudado História, conhecia de uma ponta à outra a vida de Napoleão e enunciava com exactidão, e na primeira pessoa, pequenos pormenores da vida do imperador, em sequência lógica e coerente.

Os médicos sentaram o senhor Jones diante do detector de mentiras e, depois de calibrarem o aparelho, perguntaram--lhe:

- O senhor é Napoleão Bonaparte?

O paciente pensou durante uns instantes e depois respondeu:

- Não! Que ideia é essa? Sou J. C. Jones.

Todos sorriram, excepto o operador do detector de mentiras, que informou que o senhor Jones estava a mentir!

A máquina demonstrou que, quando o paciente dizia a verdade (isto é, quando afirmava ser o senhor Jones), estava a mentir... porque acreditava que era Napoleão.
Quase todos nós confundimos a «verdade», com «não mentir», naturalmente levados por pensamentos que nos fazem querer que nos mentem. Esta atitude é racional, pois passamos a vida a ouvir uma coisa e descobrimos, antes ou depois, que não é verdade.
Que nos ensina esta história?... Não vou deixar o meu comentário como costumo fazer com as outras minhas histórias!... Vou deixar ao V/ critério...

Contos por Palavras: , , , ,
contado por Jorge Oliveira às 15:47

link do Conto | o que conta sobre este conto? | favorito
|
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

A Loja da Verdade

O homem passeava pelas ruazinhas da cidade provinciana. Como dispunha de tempo, parava alguns instantes à frente de cada loja, de cada praça.
Ao virar de uma esquina encontrou-se, de repente, perante um modesto estabelecimento cuja montra estava vazia.
Intrigado, aproximou-se do vidro e encostou a cara para poder espreitar lá para dentro...
No interior via-se apenas um cartaz escrito à mão anunciando:
Loja da Verdade
O homem ficou surpreendido. Pensou que era um nome a brincar, mas não conseguiu imaginar o que lá venderiam. Entrou. Aproximou-se da rapariga que estava ao balcão e perguntou:
- Desculpe, esta é a loja da verdade?
- É sim, senhor. Que tipo de verdade procura? Verdade parcial, verdade relativa, verdade estatística, verdade completa?
Portanto, vendia-se ali a verdade. Nunca imaginara que fosse possível. Entrar numa loja e sair com a verdade era maravilhoso...
- Verdade completa! - respondeu o homem sem hesitar.
(Estou tão cansado de mentiras e falsificações - pensou - Não quero mais generalizações nem justificações, enganos ou fraudes.)
- Verdade plena! ratificou.
- Esta bem, meu senhor. Siga-me.
A rapariga acompanhou o cliente a outro sector e, apontando para um vendedor de rosto sério, disse-lhe:
- Aquele senhor vai atendê-lo.
O vendedor aproximou-se e esperou que o homem falasse.
- Venho comprar a verdade completa.
- Ah... Perdoe-me, mas o senhor sabe o preço?
- Não, qual é? - respondeu casualmente.
Na realidade, sabia que estava disposto a pagar fosse o que fosse pela verdade absoluta.
- Se o senhor a levar - disse o vendedor - o preço é nunca mais ter paz de espírito.
O homem foi percorrido de alto a baixo por um arrepio. Nunca imaginara que o preço fosse tão elevado...
- Obri... obrigado... desculpe! balbuciou.
Deu meia volta e saiu da loja, de olhos postos no chão. Sentiu-se um pouco triste ao perceber que ainda não estava preparado para a verdade absoluta, que ainda precisava de algumas mentiras para ter descanso, alguns mitos e idealizações nos quais se pudesse refugiar, algumas justificações para não ter de se enfrentar a si mesmo...
(Talvez um dia... mais tarde...) pensou.

(baseado num relato de A de Mello, El canto del pajaro)

Contos por Palavras: ,
contado por Jorge Oliveira às 15:40

link do Conto | o que conta sobre este conto? | favorito
|

Outros Contos