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Sábado, 8 de Março de 2008

QUEM LEMBRA A NAU CATRINETA?

Quem lembra a Nau Catrineta
quem a chora e a lastima,
ondas do mar abaixo
ondas do mar acima?

Quem vira costas aos cais
que da espera se arruína,
ondas do mar abaixo
ondas do mar acima?

Quem, de janelas fechadas,
enlutadas, desanima,
ondas do mar abaixo
ondas do mar acima?

Neste silêncio de mais
pelo cais, onde a neblina
apaga esquinas, umbrais,
um velho arrais se aproxima..

A névoa que traz nos olhos
a névoa que o encortina
arranca flocos de névoa,
trovas de pranto em surdina:
«Eu sei da Nau Catrineta
que tem muito que contar,
Foi EI- Rei quem ordenou
que a fossem aparelhar.
O capitão a aparelha
nem mais tinha que esperar,
ao sair da barra fora
tudo era arrebicar.

Por um lenho cacilheiro
amarras manda levar,
para navegar em cheio
manda as velas desfraldar.
Salva a Torre do Bugio
quando a nau vai a passar.
- Adeus, marinheiros velhos,
adeus, que vamos largar.

Uns em terra de joelhos,
outros a bordo a rezar
mais as mulheres, que na praia
em choros desabalados,
pedem a Deus pelos maridos,
pelos filhos, pelos amados.
- Adeus, João da minha alma
que já não vos torno a ver,
porque o rei vos manda à guerra
pelejar até morrer.
- Adeus, Pedro da minha alma
que não vos volto a tocar,
porque o rei vos manda à guerra
combater até finar.

O capitão, que isto ouviu,
quando o estavam a amarrar
ao mastro-mor do navio,
cobrou a voz do mandar:
- Bem hajas, bom marinheiro,
meu amigo tão leal,
subi já a este mastro,
a esta gávea real,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal.

- À popa terras avisto
mas não são de Portugal,
são terras de Berberónia,
más terras, meu general.

- Olha à proa, marujinho,
arriba ao mastro real,
vê se vês terras de Espanha
ou praias de Portugal.

- Não vejo terras de Espanha
nem praias de Portugal,
vejo três espadas nuas
à espera, para vos matar.

- Ai, minha Nau Catrineta,
minha nau de tanto mar,
quem diria que, um dia,
nela iria naufragar.

E o capitão amarrado
ali se pôs a chorar.
Acerca-se do mastro grande
um piloto mui bizarro,
olhos verdes de peçonha
e cara da cor do barro:
- Se quiseres, meu capitão,
da morte ser perdoado,
assim me dês a tua alma
que eu leve para outro lado...
Dou-te, em troca, terra firme
depois do barco afundado,
todos nele se afundarão
que só tu serás poupado.
Perguntou-lhe o capitão
de semblante muito irado:
- Quem és tu para prometeres
morte e vida, renegado?
- Quem eu sou não adivinhas,
mas cumpro com o combinado.
- Vai-te daqui, tentador,
se não queres ser açoitado.
Puxou-lhe o capitão a capa
e tinha rabo, o malvado,
à cinta todo enrolado
e mais pontudo no cabo.
Tirou-lhe o capitão o gorro
e estava bem enfeitado:
dois cabides de encarnado.
Não lhos cobiço nem gabo.
Persignou-se o capitão,
persignou-se a marujada
e o diabo estoirou
num trovão de trovoada.

O trovão a trovejar
e lá de riba o gajeiro,
nesta grita de pasmar:
- Alvíssaras, senhor, alvíssaras,
meu capitão-general,
já vejo terras de Espanha, .
areias de Portugal.
- Afirma-te, amigo, afirma-te,
toma-te bem a afirmar,
ve se essas sao as terras
que andamos a buscar.

- São pelo certo, bem as vejo,
mais de perto neste mar.
Vejo os rios a correr,
lavadeiras a lavar,
vejo muito forno aceso,
padeiras a padejar
e vejo muitos açougues,
carniceiros a cortar...
Se não nos faltar o vento
à terra iremos já dar.

Tinha olhos de alegria,
o capitão a chorar,
e ainda mais ele pedia
o que queria adivinhar:
- Gajeiro, meu bom gajeiro,
que me vieste a salvar,
vê se avistas minhas terras,
no meio de Portugal,
e se, depois, mais enxergas
de quem lá está a morar.
- Daqui vejo três meninas
debaixo de um laranjal,
uma está fiando ouro,
outra na tela a bordar
e a mais pequena de todas
com sua mãe a brincar.
- Todas três são minhas filhas,
quem mas dera já beijar,
a mais velha é Maria,
a do meio Brianal,
a mais moça Flor do Dia,
fresca flor do laranjal.

A mais linda delas todas,
meu mam jinho leal,
hás-de tu a desposar,
e o meu cavalo branco
com duzentas campainhas
à roda do peitoral
também eu te quero dar.
Vais morar para minha casa
e de lá te vais casar,
colete bordado a ouro,
calção de fino tear,
chapéu de pluma a rigor,
sapato de leve pisar.

Palavras não eram ditas
ferro a nau a deitar
e - Viva! Viva! - de terra
e lá da nau a bradar.»
E o arrais terminando
quando o luar soltava,
muito brando, quase teia,
seus raios por sobre o mar,
não vendo, adivinhando
que estariam a escutar
a melopeia, hesitando
se haviam de acreditar,
ergueu a voz, sustentando:
- Ninguém pode refutar
que tudo assim sucedeu.
Senhores, olhai e ouvi:
o tal gajeiro era eu.

E a história acaba aqui.

 

(Histórias Tradicionais Portuguesas Contadas de Novo)

 António Torrado

Contos por Palavras: , , ,
contado por Jorge Oliveira às 17:13

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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

O Estado da Justiça Em Portugal

Num juízo de uma pequena cidade em Portugal, o advogado de acusação chamou a sua primeira testemunha; uma velhinha de idade avançada.

Aproximou-se da testemunha e perguntou:

- Sr.ª. Ermelinda, a senhora conhece-me?

A senhora respondeu:

- Claro que te conheço. Conheço-te desde pequenino e, francamente, desiludiste-me. Mentes descaradamente, enganas a tua mulher, manipulas as pessoas e falas mal delas pelas costas. Julgas que és uma grande personalidade quando nem sequer tens inteligência suficiente nem para ser varredor. Claro que te conheço.

O advogado ficou branco, sem saber que fazer. Depois de pensar um pouco apontou para o outro extremo da sala e perguntou:

- Sr.ª Ermelinda conhece o defensor oficioso?

Responde a velhinha:

- Claro que sim. Também o conheço desde a infância. É frouxo, tem problemas com bebida, não consegue ter uma relação normal com ninguém e na qualidade de advogado bem, aí... é um dos piores que já vi. Não esqueço também de mencionar que engana a mulher com três mulheres diferentes, uma das quais, curiosamente, é a tua mulher. Sim, conheço-o.

Claro que sim.

- O defensor ficou em estado de choque.

O Juiz, então, pediu a ambos os advogados que se aproximassem do estrado e com uma voz muito ténue diz-lhes:

- Se a algum dos dois, ocorrer perguntar à aquela velha se me conhece, juro-vos pela justiça portuguesa que vão todos presos.

Contos por Palavras: , ,
contado por Jorge Oliveira às 15:38

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