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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

DIA DO PAI

Da criança para o Pai:

- Não me dês tudo que eu pedir. Às vezes, eu só peço para ver até quando posso obter.
- Não me dês sempre ordens; se, ao invés de ordens, às vezes me pedires as coisas, eu as farei mais rápido e com mais prazer.
- Cumpre as promessas, boas ou más. Se me prometeres um prémio, dá-me, mas, também, se for um castigo.
- Não me compares com ninguém, especialmente com meu irmão ou minha irmã. Se tu me fizeres brilhar menos que os demais então serei eu quem se apagará.
- Não corrijas minhas faltas diante de ninguém. Ensina-me a melhorar quando estivermos a sós.
- Não me grites. Respeito-te menos quando o fazes e me ensinas a gritar também, e eu não o quero fazer.
- Deixa-me desenvolver-me por mim mesmo. Se tu fizeres tudo por mim, eu nunca aprenderei.
- Quando eu fizer algo mal, não me exijas que diga porque o fiz. Às vezes, nem eu mesmo o sei.
- Não digas mentiras demais de mim, nem me peças para dizê-las por ti, mesmo que seja para livrar-te de um apuro. Fazes com que eu me sinta mal, e perca a fé no que dizes.
- Quando estiveres errado em algo, admite-o e crescerá a opinião que tenho de ti. E me ensinarás a admitir meus erros também.
- Trata-me com a mesma amabilidade e cordialidade com que tratas teus amigos, já que, porque somos família, isso não quer dizer que também não possamos ser amigos.
- Não me digas para fazer uma coisa que tu não a fazes. Eu aprenderei e farei sempre o que tu fizeres mesmo que tu não o digas, mas nunca o que tu disseres e não fizeres.
- Quando contar-te um problema meu, não me digas "não tenho tempo para ouvir disparates" ou "isso não tem importância". Trata de compreender-me e ajudar-me.
- Diz que gostas muito de mim. A mim agrada-me ouvir-te dizê-lo, mesmo que tu não julgues necessário dizer-me.

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contado por Jorge Oliveira às 18:29

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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

UM PASSEIO PELO CAMPO

Numa manhã, em pequeno, meu pai convidou-me a dar um passeio pelos caminhos de terra e estreitos que nos levavam às hortas que ele mesmo cultivava, lá no campo, um pouco distante da nossa casa. Claro que fiquei todo radiante e aceitei com grande alegria. Quando passamos por uma eira, ele parou e após um curto silêncio perguntou-me:

- Para além do cantar dos pássaros que estás a ouvir, do vento nas árvores, ouves mais alguma coisa?

Parei por uns segundos e tentei escutar algo mais e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, é uma carroça vazia... disse meu pai.

Espantado, perguntei:

- Como o pai sabe se a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

- Ora meu filho, respondeu o meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.


Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa dizendo coisas de mais, falando demais, inoportuna, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: - Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...

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contado por Jorge Oliveira às 16:57

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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

SABEDORIA INFANTIL

"Se gostavas de ter um cão, começa por pedir um cavalo." Luís, 13 anos
"Nunca te metas com uma miúda que já te bateu uma vez." Pedro, 9 anos
"Se a tua mãe esteve a discutir com o teu pai, não a deixes pentear-te." Sara, 12 anos
"Se quiseres dar banho a um gato, prepara-te para tomares um também." João, 10 anos
"Nunca se deve confiar num cão para guardar a nossa comida." Gonçalo, 11anos
"Nunca entres numa corrida com os atacadores desapertados." André, 12 anos
"Quantos mais erros faço, mais esperta fico." Inês, 8 anos
"Quando as coisas estão escritas em letras pequenas é porque são importantes." Diogo, 10 anos

Atracção amorosa

"Primeiro temos que ser atingidos por uma seta. Depois, deixa de ser uma experiência dolorosa." Helena, 8 anos
"Se uma pessoa tiver sardas, ela vai sentir-se atraída por outra que também tenha sardas." André, 6 anos

A idade certa para casar

"Aos oitenta e quatro anos, porque nesta idade já não precisamos de trabalhar e podemos passar o dia inteiro a namorar." Júlia, 8 anos
"Eu vou-me casar assim que sair do infantário." Tomás, 5 anos

Solteiro ou casado?

"As raparigas devem ficar solteiras. Os rapazes devem casar-se para terem alguém que lhes limpe a roupa e lhes faça a comida." Catarina, 9 anos
"Fico com dor de cabeça só de pensar nesse assunto. Sou muito pequena para pensar nesses problemas." Lina, 9 anos
"Uma das pessoas deve saber preencher um cheque. Mesmo que haja muito amor, é sempre necessário pagar as contas." Eva, 8 anos

Para manter uma relação

"Passar a maior parte do tempo a namorar em vez de irmos trabalhar." Tomás, 7 anos
"Não esquecer o nome da namorada. Isso estragava tudo!" Ricardo, 8 anos
"Pôr o lixo lá fora todos os dias." Guilherme, 5 anos
"Nunca dizer a uma pessoa que se gosta dela se não for verdade." Pedro, 9 anos

O amor

"Não tem a ver com sermos bonitos ou não. Eu sou bonito e ainda não encontrei ninguém para casar comigo." Ricardo, 7 anos.
"O amor é a melhor coisa que existe no mundo. Mas o futebol ainda é melhor!" Guilherme, 8 anos.
"Sou a favor do amor, desde que ele não aconteça quando estão a dar desenhos animados". Ana, 6 anos.
"O amor encontra-nos mesmo quando nós tentamos esconder-nos dele. Eu fujo dele desde os 5 anos, mas as raparigas conseguem sempre encontrar-me." Nuno, 8 anos
"O amor é a loucura. Mas quero experimentar um dia." Fábio, 9 anos

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contado por Jorge Oliveira às 16:51

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Sábado, 1 de Março de 2008

O Mundo nas mãos de uma criança

Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava decidido a encontrar meios de minimiza-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas, com teses, colocando problemas, testando hipóteses, com o intuito de chegar a alguma conclusão.
Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar.
O cientista nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar.
Vendo que seria impossível de impedi-lo, o pai procurou algo que pudesse entreter o filho com o objectivo de distrair a sua atenção.
Foi quando, de repente, deparou-se com o mapa do mundo, algo que ele necessitava!
Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:
- Olha filho, vou dar-te o mundo para ver se o consegues arranjar. Aqui tens o mundo todo feito em pedaços. Agora vê se o consegues consertá-lo tal como ele deve ficar, bem certinho! Mas tens que o fazer tudo sozinho.
Calculando que a criança levaria dias para recompor o mapa e assim deixá-lo trabalhar em paz.
Passadas algumas horas, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:
- Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho sozinho!
A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível, na sua idade, ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista, por cima dos óculos que usava, levantou os olhos das suas anotações e cálculos, certo de que iria ver um trabalho digno de uma criança.
Para sua surpresa, o mapa estava completo.
Todos os pedaços de papel tinham sido colocados e colados nos devidos lugares. Como seria possível? Como é que a criança teria sido capaz?
- Parabéns! – disse o pai – Mas, filho, como conseguiste se tu não sabias como era o mundo?

- Pai! – disse o filho - eu não sabia como era o mundo, mas quando o pai tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando consegui arranjar o homem, virei a folha e descobri que havia arranjado também o mundo.
Às vezes para resolvermos grandes problemas da humanidade, basta tão-somente olhar para as crianças e ver o quanto é simples... Jamais deveremos deixar de ser crianças e muito menos deixar de dar atenção às crianças.

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contado por Jorge Oliveira às 15:43

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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

De Quem Gostamos Afinal?

Eu estava correndo e de repente um estranho tropeçou em mim:
- "Oh, desculpe”, foi a minha primeira reacção.
E ele disse:
- "Ah, de nada. Quem tem que pedir desculpas sou eu, pois fui eu quem não vi o senhor!"
Nós fomos muito educados um com o outro, aquele estranho e eu.
Até que então, despedimo-nos e cada um foi para seu lado.
Mas em nossa casa, acontecem histórias diferentes.
Como nós tratamos aqueles que amamos...???
Mais tarde naquele dia, eu estava fazendo o jantar e meu filho pôs-se ao meu lado, tão silenciosamente que eu nem percebi. Quando eu me virei, apanhei um grande susto, pois quase o queimava e comecei logo a ralhar com ele.
"Sai já daqui, antes que leves uma palmada!"
E eu disse aquilo com certa agressividade.

E ele foi embora, com os seus grandes olhos, já vertendo algumas lágrimas, certamente com seu pequeno coração destroçado.

Eu nem imaginava como tinha sido áspero com ele.

À noite, quando me fui deitar, dei comigo a pensar sobre o sucedido, pois, não estava de consciência tranquila, e disse para mim mesmo:
"Quando falava com um estranho, fui o mais amável possível!

Mas com seu filho, a criança que eu amo, eu nem sequer me preocupei com isso!
Não tinha reparado logo que no chão da cozinha, estava uma moldura com a sua foto.
Ele ficou quietinho para não estragar a surpresa e eu ralhei com ele.

Nesse momento, eu senti-me muito pequeno. E agora, era o meu coração que tinha ficado destorcido. Então, levantei-me e eu fui até a cama dele, ajoelhando-me a seu lado.
- "Acorda filhinho, esta é a moldura que tu me trouxeste?"

Ele sorriu:

- "Fui eu que a fiz para te oferecer.
Eu fiz-a, para tu colocares na tua secretária e te lembrasses de mim todos os dias!"
Eu disse:

- "Filho, eu sinto muito pela maneira como agi hoje. Desculpa! Eu não devia ter gritado contigo daquela maneira."
-"Não faz mal, pai, eu sei que tu às vezes te zangas comigo!"

Todos nós devemos parar para pensar que, se morrermos amanhã, a empresa para qual trabalhamos poderá facilmente nos substituir em uma questão de dias.

Mas as pessoas que nos amam, a família que deixamos para trás, sentirão essa perda para o resto de suas vidas?

E nós raramente paramos para pensar nisso.
Às vezes colocamos nosso esforço em coisas muito menos importantes que a nossa família, os nossos amigos, as pessoas que nos amam, e não nos damos conta do que realmente estamos perdendo.
Perdemos o tempo de sermos carinhosos, de dizer um "Eu te amo", de dizer um "Obrigado", de dar um sorriso, ou de dizer o quanto cada pessoa é importante para nós.
Ao invés disso, muitas vezes agimos com rudeza, e não percebemos o quanto isso magoa realmente quem gosta mesmo de nós

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Uma Prenda Diferente

O Sr. Silva está furioso. O filho da vizinha, um bebé de apenas dez dias, voltou a acordá-lo. Chora muito. E chora com muita força.

Depois do almoço, o Sr. Silva gosta de dormir uma horita mas o bebé do lado não o deixa.
– Que criança horrível – resmunga, às voltas no sofá.

A vizinha trouxe-a para casa há três dias, e há três dias que ela começa a gritar de cada vez que o Sr. Silva quer fazer a sesta.

Hoje sente-se particularmente incomodado porque está desiludido e de mau-humor. É o seu aniversário. Faz sessenta anos, mas ninguém lhe deu os parabéns. Ninguém lhe mandou um postal. Na caixa do correio só encontrou um prospecto de publicidade que amarrotou e meteu de imediato no fogão.

Durante algum tempo, o Sr. Silva olha fixamente para a parede que o separa da casa da vizinha. Depois, levanta-se de um salto e atravessa a sala com o punho erguido. Enfurecido, bate na parede até a mão lhe doer.

– Ora ainda bem! – diz, satisfeito. O bebé deixara de chorar de um momento para o outro.
Naquele instante, toca a campainha da porta.

Do lado de fora, a vizinha, com o bebé nos braços, sorri embaraçada para o Sr. Silva.

– Desculpe – disse. – Eu pensei que...
– O quê? – pergunta o Sr. Silva de testa franzida.
– Que tivesse caído ou que se sentisse mal e precisasse de ajuda – disse de uma só vez. – Por isso, vinha ver se precisava de alguma coisa.

– Se eu precisava de alguma coisa? – suspira o Sr. Silva. – Porquê?

"Ela está a falar a sério" – pensa confuso. A vizinha ouviu o bater dele mas percebeu mal: pensou que o vizinho estava a precisar de ajuda.

O Sr. Silva coça a barba rala, olha para a cara vermelha do bebezinho e pergunta:
– Ele é ainda muito novinho, não?

– Tem dez dias e quatro horas – responde a vizinha. – Chama-se Catarina. O meu marido e eu estamos muito felizes, porque era mesmo uma menina que queríamos.

O Sr. Silva tossica.

– Oh... ela já tem cabelo!

– Ah, um ou outro, muito finos – diz a vizinha, recuando devagar em direcção à sua porta. – Desculpe, agora tenho de ir dar-lhe de comer. Eu sigo as recomendações à risca, sabe.
– Claro! – diz o Sr. Silva.

Pela fresta da porta, a vizinha acena com a cabeça.

– Fico contente por estar tudo bem com o senhor.

Em casa, o Sr. Silva anda de um lado para o outro profundamente surpreendido. Ela está contente por estar tudo bem com ele. Há uma pessoa que se preocupa com ele. Afinal não está tão só como pensava. O Sr. Silva nem cabe em si de contente. Afinal, sempre recebeu uma prenda de aniversário e, ainda por cima, bem bonita!

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contado por Jorge Oliveira às 15:36

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

A importância de um amigo

Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta:
- O que de mais importante já fez na sua vida?

A resposta veio-me à mente na hora, mas não foi a que respondi, pois, as circunstâncias, não eram apropriadas.

No papel de advogado da indústria do espectáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades.

Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não o via.
Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um.
Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebé.

Enquanto jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe disse que seu bebé parara de respirar e que fora levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.

Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer:

Seguir o meu amigo ao hospital? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente estaria sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.

Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse.

A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo. Quando dei à chave do meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto aos campos de ténis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.

Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam.
Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer.

Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebé.

Durante os instantes que ficaram abraçados - a mim pareceu uma eternidade - choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor.

O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança.

Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta.

Ao me ver ali, aquela mãe abraçou-me e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse:

- Muito Obrigado por estar aqui!

Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebé, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida. Aquela experiência me deixou três lições:

 

Primeira, o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, mas nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e eu nada poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.


Segunda, estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como fazia na profissional.

Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que
deveria ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhado meu amigo ao hospital.


Terceira, Aprendi que a vida pode mudar num instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro num piscar de olhos.


Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, dissolver um casamento ou passar um dia festivo longe da família.

E aprendi que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras.

O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

Esta história foi-me enviada num daqueles emails que gostamos enviar aos amigos, não sei se a mesma é verídica e qual o seu autor, este facto, no entanto, para mim é insignificante, que me desculpe quem a escreveu, mas essa pessoa saberá o que realmente importa, não é o nome do autor, nem a autenticidade. Ela terá sempre um autor e será sempre verdadeira, porque a qualquer altura ela pode fazer, de uma forma ou de outra, parte da nossa existência. Apesar de uma história bastante triste, ela me deu a alegria de compreender um outro lado da vida e aprender a sorrir sempre diante uma amizade.

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contado por Jorge Oliveira às 19:28

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