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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

FRAGIL CASTELO DE AREIA

 

Era uma vez uma menina. Menina essa que era o centro do mundo. Talvez não o fosse, mas sentia que a ela pertencia... Essa menina sempre teve rios de amor à sua volta, mares de sorrisos, cascatas de beijos... essa menina só podia ser feliz. E era! Era uma menina feliz ...

Essa menina abusava na sua oferta. Dava o que tinha e o que não tinha. Essa menina tinha castelos e nele punha todo o seu mundo. Essa menina era médica e curava todos os seus povos. Essa menina era Rainha, e sempre havia festa no seu reino. A menina era por vezes “condenada” por metralhar o seu mundo de beijos e abraços.

Mas não seria essa a essência da menina?! Uma fragrância de flores, coberta de beijos ... fustigada a abraços. A menina tinha o titulo do Riso! O mundo parava se não estava a rir ... Uma dia parou E então a menina viu que, na verdade, só ela tinha parado. Essa menina foi crescendo. O encanto dela nunca se perdeu e ás vezes ainda se apercebe que pode ser um “pequeno mundo” de alguém ... Pobre menina. Pobre menina crescida que se tornou em anémona. Com o toque retrai ... Pobre menina crescida que foge com o olhar ... Pobre menina crescida que para um estranho lugar foi viver. Sem castelos, rios ou cascatas ... Pobre menina crescida que deixou de brincar e sonhar ... O seu mundo ainda se move a risos... Veio uma onda e levou-lhe o castelo...

(continua no post seguinte, do dia 28.MAR)...

 

 

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Sábado, 22 de Março de 2008

NESTA PASCOA PENSA COMIGO

Tentamos procurar um sinal, um princípio de tudo, esperando que chegue até nós através dos outros ou das coisas o que queremos sentir.
Quantas vezes sem conta abrimos a nossa caixa de correio, o nosso email, para ver se temos cartas ou mensagens e se lembraram de nós. Por mais que nos esforcemos, queremos estar é com quem nos dá atenção e quase esquecemos quem a nós não nos diz nada, pelo seu silêncio.

Procuram-se recordes de visitas as nossos blogs, a livros que se escrevem, às musicas que se fazem… existe sempre um TOP +. Ser centro de atenções. Estamos sempre à espera da atenção ou reconhecimento de algo ou alguém. Se não o conseguimos tentamos seguir os TOP's + para estarmos com os outros e assim sentirmos gente. 

Haverá um dia, de certo, em que essa atenção nunca chegará (o nosso dia). E se todos pensassem que o principio das coisas tem que partir dos outros e não de nós? Ninguém jamais conseguiria comunicar, porque estaria eternamente à espera que o outro lado deixe o primeiro sinal, só que o outro lado, seguindo este princípio, também pensaria assim, nada aconteceria, e o mundo não poderia avançar. Quantos amores e amizades não assim não se perdem?

Talvez percamos tempo demais a esperar, é muito mais fácil receber do que dar, quando deveria ser ao contrário. Os outros e as coisas parecem-nos desiludir quando teimam a chegar tarde, como se essa fosse uma obrigação sempre dependente de uma terceira parte envolvente e não de nós próprios. O que sabemos nós do silêncio dos outros e das coisas, apenas conhecemos o nosso e só nós sabemos se temos ou não tempo para dar e estar com os outros, nunca saberemos o que fundamenta a ausência do outro lado, mas sabemos da nossa presença.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um de nós pode começar agora e fazer um novo fim para abrir caminho a um novo princípio.

Lamentamo-nos que a vida é cheia de desencontros, será que já nos encontramos a nós próprias para podermos encontrar alguém?

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