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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

ERA GLACIAL


Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre estava coberta por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais.

Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro, e, todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.

Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...

Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos.

Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial!...Sobreviveram!

É fácil trocar palavras, difícil é interpretar os silêncios! ...

É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar! ...

É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração! ...

É fácil apertar as mãos, difícil é reter o seu calor! ...

É fácil sentir o amor, difícil é conter a sua torrente!

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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

AMIGO

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram.
O amigo ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:

HOJE, O MEU MELHOR AMIGO BATEU-ME NO ROSTO.

Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra:

HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.

Intrigado, o amigo perguntou:

Por que depois de te bater,  escreveste na areia e agora que te salvei, escreveste na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

- Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração; onde vento nenhum do mundo poderá apagar.

Contos por Palavras:
contado por Jorge Oliveira às 10:05

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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

DIA DO PAI

Da criança para o Pai:

- Não me dês tudo que eu pedir. Às vezes, eu só peço para ver até quando posso obter.
- Não me dês sempre ordens; se, ao invés de ordens, às vezes me pedires as coisas, eu as farei mais rápido e com mais prazer.
- Cumpre as promessas, boas ou más. Se me prometeres um prémio, dá-me, mas, também, se for um castigo.
- Não me compares com ninguém, especialmente com meu irmão ou minha irmã. Se tu me fizeres brilhar menos que os demais então serei eu quem se apagará.
- Não corrijas minhas faltas diante de ninguém. Ensina-me a melhorar quando estivermos a sós.
- Não me grites. Respeito-te menos quando o fazes e me ensinas a gritar também, e eu não o quero fazer.
- Deixa-me desenvolver-me por mim mesmo. Se tu fizeres tudo por mim, eu nunca aprenderei.
- Quando eu fizer algo mal, não me exijas que diga porque o fiz. Às vezes, nem eu mesmo o sei.
- Não digas mentiras demais de mim, nem me peças para dizê-las por ti, mesmo que seja para livrar-te de um apuro. Fazes com que eu me sinta mal, e perca a fé no que dizes.
- Quando estiveres errado em algo, admite-o e crescerá a opinião que tenho de ti. E me ensinarás a admitir meus erros também.
- Trata-me com a mesma amabilidade e cordialidade com que tratas teus amigos, já que, porque somos família, isso não quer dizer que também não possamos ser amigos.
- Não me digas para fazer uma coisa que tu não a fazes. Eu aprenderei e farei sempre o que tu fizeres mesmo que tu não o digas, mas nunca o que tu disseres e não fizeres.
- Quando contar-te um problema meu, não me digas "não tenho tempo para ouvir disparates" ou "isso não tem importância". Trata de compreender-me e ajudar-me.
- Diz que gostas muito de mim. A mim agrada-me ouvir-te dizê-lo, mesmo que tu não julgues necessário dizer-me.

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contado por Jorge Oliveira às 18:29

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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

A SIMPLICIDADE

É uma bela história hindu.


O filho duma pobre viúva tinha que atravessar todos os dias um bosque solitário para ir à escola.

O menino tinha medo de o atravessar sozinho. Pediu à mãe que pagasse a um criado para o acompanhar. A mãe, que era muito pobre e não podia pagar, disse-lhe que pedisse ele a seu irmão Krishna que o acompanhasse.

Krishna é considerado o Senhor da Selva. O menino assim o fez. Um dia após outro, Krishna acompanhava o menino nas idas e vindas da escola.

Um dia em que se homenageava o mestre, todos os meninos deviam levar-lhe algum presente.

A viúva disse ao filho que não podia dar nenhum presente, que pedisse a Krishna.
O menino assim fez.

Krishna deu-lhe um jarro de leite para levar ao mestre.

Quando todos os meninos entregavam os seus presentes, o menino pobre via que o mestre não dava atenção ao presente que ele tinha levado, e pedia ao mestre que o aceitasse.
Como não era atendido, o menino insistia uma e outra vez. Por fim, o mestre disse ao ajudante:

- Recolhe o leite e devolve o jarro ao menino para que não insista mais.
Quando o ajudante esvaziou o leite para outro recipiente, notou que o jarro ficava de novo cheio de leite.

Uma e outra vez fez a mesma operação e o jarro tomava a encher-se.

Então o mestre, assombrado, perguntou ao menino quem lhe tinha dado o leite.

O menino respondeu muito simples e naturalmente que tinha sido Krishna, que todos os dias o acompanhavam na ida e na vinda da escola.

O mestre pediu ao menino que o levasse a ver esse tal Krishna.

O menino, acompanhado pelo mestre e companheiros, foi até à entrada do bosque, onde todos os dias o esperava Krishna.

Mas ele não estava lá. O menino chamou-o uma e outra vez, mas ele não aparecia.

Os companheiros riram-se dele, e o menino chorando rogou a Krishna que viesse.
Por fim, Krishna falou-lhe ao ouvido:

- Não apareço porque ao teu mestre falta a simplicidade para acreditar.

A nossa vida deveria ser um constante milagre. Mas falta-nos humildade para acreditar no princípio da simplicidade que rege a vida, no que é a Vida. Não será muito difícil saber porque muitas vezes não temos ninguém para nos ajudar atravessar a bosque ou a selva da vida neste mundo.

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Domingo, 9 de Março de 2008

ABRE UMA NOVA JANELA

Conta-se que uma certa menina tinha um lindo cãozinho de estimação.


Ela devotava muito carinho e atenção por ele. Todos os dias, ao cair da tarde, ficava na varanda de sua casa, olhando seu cãozinho brincar. Certo dia, ao voltar da escola, percebeu um movimento intenso e algo estranho no ar...
- O que houve? Perguntou à sua mãe. O cãozinho morrera, um carro o atropelou e o matou.

 Que tragédia, para aquela menina! Após uns dias isolada no quarto, alimentando sua tristeza, ela passou a adoptar um comportamento estranho. Todos os dias, ao cair da tarde, ficava na janela do seu quarto, olhando para o portão da casa, numa ingénua ilusão, esperando ver seu cãozinho voltar. Assim ficou por muitos dias.

 Até que, seu pai com o coração partido por ver a filha assim, tomou-a nos braços e disse:
- Filha, lá em nosso jardim nasceu uma linda flor. Anda, vem comigo contemplá-la desta nova janela, porque nesta, onde vens todos os dias, tu não a consegues ver, anda, vamos abrir aquela e mudar de janela!
Nossa existência é semelhante a uma casa de muitas janelas, que possibilita a contemplação de várias paisagens.

 

O problema é que muitos fazem da vida uma casa de uma única janela. E ali, ficam debruçadas, por anos.

Quando alguém age assim, o foco da sua atenção fica limitado, possibilitando-o de ver outras paisagens. Na vida, às vezes, temos que mudar de janela, para contemplar o novo ao nosso redor.

Uma janela que precisa ser fechada é a do ressentimento.

Quem fica debruçado sobre esta janela olha a vida pelo ângulo da amargura, do desencanto, da tristeza profunda.

A pessoa ressentida, perde a confiança no amor, não investe em novos relacionamentos, fecha as portas para o perdão e tem visão muito negativa da vida.

Muda de janela!

Outra janela que precisa ser fechada é a do medo.

O medo é um mal terrível. Milhares de pessoas estão fixadas nesta janela.

Somente vêem os perigos, os obstáculos, as dificuldades. Na mente delas não existem sonhos, só pesadelos, o que estes têm de bom é que nos possibilitam acordar.

Quem fica a olhar a vida através da janela do medo, só contempla o caos.

Troca a janela do medo, pela da coragem. Ela desperta em nós a determinação e o optimismo.

Medo é a derrota antecipada. Terrível é a vida dos que se fixaram na janela do passado. Não vêem nada em sua frente a não ser motivos para se lamentar.

Quem vive debruçado sobre o passado não consegue vislumbrar o futuro.

Muda de janela!

Mude para a janela da esperança.

Ela nos faz sonhar com dias melhores.

Quem quer vencer na vida, precisa ter a reflexão no passado, os pés no presente e os olhos no futuro, e caminhar sempre nesse direcção!... Muda de janela e vê que tu não está só.

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contado por Jorge Oliveira às 17:02

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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

UM PASSEIO PELO CAMPO

Numa manhã, em pequeno, meu pai convidou-me a dar um passeio pelos caminhos de terra e estreitos que nos levavam às hortas que ele mesmo cultivava, lá no campo, um pouco distante da nossa casa. Claro que fiquei todo radiante e aceitei com grande alegria. Quando passamos por uma eira, ele parou e após um curto silêncio perguntou-me:

- Para além do cantar dos pássaros que estás a ouvir, do vento nas árvores, ouves mais alguma coisa?

Parei por uns segundos e tentei escutar algo mais e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, é uma carroça vazia... disse meu pai.

Espantado, perguntei:

- Como o pai sabe se a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

- Ora meu filho, respondeu o meu pai. É muito fácil saber que uma carroça está vazia, por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.


Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa dizendo coisas de mais, falando demais, inoportuna, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo: - Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...

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contado por Jorge Oliveira às 16:57

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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Detector de Mentiras

Há muitos anos, quando apareceu no mundo o primeiro detector de mentiras, todos os advogados e estudiosos do comportamento humano ficaram fascinados. O aparelho baseia-se numa série de sensores que detectam as variações fisiológicas da transpiração, contracções musculares, variações de ritmo cardíaco, tremores e movimentos oculares, que ocorrem em qualquer indivíduo quando mente.

 Naquela época, as experiências com a «máquina da verdade», como se lhe chegou a chamar, proliferavam por toda a parte.

Um dia, um advogado decidiu fazer uma investigação muito peculiar. Levou a máquina para o hospital psiquiátrico da cidade e sentou diante dele um paciente internado: J. C. Jones. O senhor Jones era psicótico e, nos seus delírios, garantia que era Napoleão Bonaparte.

Talvez por ter estudado História, conhecia de uma ponta à outra a vida de Napoleão e enunciava com exactidão, e na primeira pessoa, pequenos pormenores da vida do imperador, em sequência lógica e coerente.

Os médicos sentaram o senhor Jones diante do detector de mentiras e, depois de calibrarem o aparelho, perguntaram--lhe:

- O senhor é Napoleão Bonaparte?

O paciente pensou durante uns instantes e depois respondeu:

- Não! Que ideia é essa? Sou J. C. Jones.

Todos sorriram, excepto o operador do detector de mentiras, que informou que o senhor Jones estava a mentir!

A máquina demonstrou que, quando o paciente dizia a verdade (isto é, quando afirmava ser o senhor Jones), estava a mentir... porque acreditava que era Napoleão.
Quase todos nós confundimos a «verdade», com «não mentir», naturalmente levados por pensamentos que nos fazem querer que nos mentem. Esta atitude é racional, pois passamos a vida a ouvir uma coisa e descobrimos, antes ou depois, que não é verdade.
Que nos ensina esta história?... Não vou deixar o meu comentário como costumo fazer com as outras minhas histórias!... Vou deixar ao V/ critério...

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contado por Jorge Oliveira às 15:47

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