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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

A MASCARA

Tinha sido convidado para uma dessas reuniões ditas de negócios a onde eu tinha sido nomeado membro de uma comissão, mas cheia de personagens hipócritas que se queriam fazer notar e mostrar o poder do seu status social.

Na minha vida profissional e social, sempre me considerei uma pessoa consciente de que, às vezes, é preciso pôr certas máscaras, para representar certos papéis na sociedade.
Antes de entrar para a sala de reuniões procurei a casa de banho, geralmente este local costuma funcionar bem como um refúgio de instantes tranquilos, olhei-me a um dos espelhos que ali havia, e pensei na máscara que devia pôr para cumprimentar as diferentes pessoas que ia encontrar: como hei-de cumprimentar tal e tal pessoa? Que hei-de dizer? Que é que não hei-de dizer?

Todas estas questões passavam pela minha mente naquele momento. Pensava nesse papel absurdo e quase ridículo que há que fazer, e senti a lógica tentação de não entrar.
Mas, esta era uma reunião de carisma profissional bastante elevado e importante que eu, pela primeira vez, tinha oportunidade de participar e não poderia faltar.

Enquanto cumprimentava e sorria, com esse sorriso forçado próprio de tais circunstâncias, recriminava-me a mim mesmo de ter posto uma máscara, a que não estava acostumado, mas que é indispensável nestes casos, para não ser apodado de sério, antipático ou pouco sociável.

A reunião continuou, sempre com essa animação dos disfarces, dos mútuos elogios e dos dizeres mais ou menos finos, exagerados e vulgares que se trocavam.

Contudo, por não estar muito acostumado a estas andanças, optei por ficar um tanto retirado discretamente, enquanto me imaginava no palco de um teatro, vendo os diferentes actores por lá a passear, representando cada um o seu papel o melhor possível.

Vi que nem todos eram bons actores. Vi também que alguns eram como veteranos mestres na arte de pôr e tirar a máscara apropriada a cada momento.

Eu, como espectador, observava os momentos da mudança de máscara e o salão convertia-se em cenário da comédia humana com a particularidade de que os actores todos se julgavam primeiras figuras, e às vezes até parecia que estavam convencidos do papel que representavam.

Sempre continuei retirado da representação. Mas, pensando na possibilidade de, a qualquer momento, ter de entrar em cena, tomei então uma decisão repentina, mas decisiva. Procurando não ser notado, dirigi-me para a porta de serviço e abandonei a reunião.
Interiormente tinha-me posto o dilema de tomar parte na comédia ou de ser sincero comigo mesmo. Naquele ambiente, não era fácil, e talvez nem possível, manter a sinceridade e espontaneidade que eu queria conservar.
Talvez, surpreendidamente, vá iludir a todos que leram está história, embora não me tenha arrependido do meu acto, pois foi feito de uma forma espontânea e sincera, aprendi que posso optar por ser consequente, não menos sincero e espontâneo a cada momento, com os meus próprios sentimentos, pondo a máscara correspondente, jogando o jogo social do momento, ou não assistir. Em todos os casos assumindo as consequências.
E encontrei uma maneira que eu penso ser inteligente de continuar a assistir a essas reuniões participando no jogo, mas sabendo que é um jogo, sem se deixar envolver nele.

Representa um papel, se tens de representá-lo, mas não te identifiques com ele.
Isto, no caso de teres verdadeira necessidade de participar. Porque se isto se faz frequentemente, facilmente chegarás a deixar de ser tu mesmo, e ir-te-ás convertendo a cada momento numa personagenzinha diferente, segundo as situações. E isso, claro, é deixares de ser tu, renunciar a seres a pessoa que realmente és. E então, saberás alguma vez quem és e como és?

Esta multiplicidade de máscaras leva inconscientemente à multiplicidade de "eus", levando a um grande conflito interior e quando uma pessoa não sabe quem é, o que é e como é, estes conflitos multiplicam-se. Para quem pode, depressa vêm sessões e mais sessões com analistas e psicoterapeutas, para não cair em depressão.
Após a terapia, instintiva ou paga, quando parece que as feridas do "eu" estão estancadas, aparece outro "eu" com outras volubilidades.

Não nos enganemos. O disfarce, a falsidade e a hipocrisia obrigam a ter uma grande colecção de máscaras que nem todos os pretextos aguentam.
A verdade e a sinceridade não devem ser pungentes e mal-educadas. Podem ser amáveis.

E devem sê-lo.

É curioso saber que a palavra pessoa vem do uso das comédias gregas, em que os actores punham máscaras para representar os seus papéis. Aquela máscara era a "persona ". Mas aquela máscara tinha expressões gerais. Assim com aquelas máscaras expressavam-se as virtudes ou os vícios, a alegria, a tristeza, a avareza, a mentira...

Mas parece que, nos nossos tempos, há muitas pessoas que sabem jogar muito bem ao teatro grego. Fazem os seus papéis com a máscara correspondente usando a sua personalidade como uma peça de jogo social.

Na nossa realização pessoal e professional a nossa personalidade deve ser reduzida ao seu lugar, e a sua missão, simples e sem enfeites. Para os que sejam capazes de entendê-lo, direi que, enquanto a personalidade não for dissolvida, não haverá verdadeira vida interior, nem autêntica realização pessoal.

A vida diária obriga-nos a dirigir as expressões do nosso corpo e as nossas ideias. Mas, podemos viver com tudo isso desde o centro de nós mesmos, fazendo que toda a nossa expressão externa seja um fluir natural e espontâneo da nossa realidade interna. O que fazemos normalmente é depender e esforçar-nos por sobressair com a nossa personalidade, esquecendo a nossa autenticidade interna.


O trabalho de realização humana consiste em dar a importância e o papel principal ao que é PRINCIPAL. O resto serão formas e mecanismos de expressão.

Contos por Palavras: , ,
contado por Jorge Oliveira às 17:03

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