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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

A Noite em que a Noite Não Chegou

Um dia, mal acordou, a noite foi espreitar pela janela e reparou que já era quase noite. «Estou atrasada!», pensou ela ao ver que o Sol já tinha desaparecido e os candeeiros começavam a acender-se.

Mas, nesse dia, ou nessa tarde, ou nessa noite, a noite sentia-se muito preguiçosa.
Gostava muito de estar ali, no quentinho dos lençóis, mas à noite não podia.
Tinha sempre que fazer. Contrariada, deu uma volta e outra volta, desenroscou-se, enroscou-se e pensou 1á para consigo: «Estou farta!»

Havia muitas, muitas noites desde o início dos tempos que a noite chegava à hora certa sem faltar um só dia. «E tudo isto para quê?», perguntou ela de si para si, «Só para que o vaidoso do Sol possa ir mostrar a sua linda cabeleira dourada ao outro lado do mundo... Hoje, não saio daqui... O Sol que se amanhe!»

Olhando para o seu antiquíssimo fato de trabalho, metade feito de estrelas, metade de escuros trapos, a noite resolveu por uma vez ficar na cama.

«O pôr-do-sol que se aguente por ai, a pairar no meio do céu, até que nasça o dia! Está resolvido. Hoje, ninguém me tira daqui l»

Assim, sem querer saber de mais nada, a noite deixou-se ficar na cama toda satisfeita, com uma chávena de chá numa mão e um livro de histórias na outra.

Quando perceberam que a noite não chegava, as pessoas, os bichos, os candeeiros e as flores começaram ajuntar-se às portas da noite. Os autocarros e os girassóis queriam ir dormir. Os mochos; as corujas e os guardas-nocturnos queriam sair para o trabalho. Por isso se puseram todos a gritar: «Venha a noite!»

Venha a noite! Então, nunca mais chega?! É preciso fazer cair a noite!»

Mas era tão alta a casa onde a noite morava que ninguém se atrevia sequer a tentar chegar lá acima.

Foi então que apareceu um menino rabino que pediu «Com licença...» a toda a gente e se pôs a trepar pelos últimos raios de sol. Num equilíbrio despachado, pôs um pé numa nuvem, outro num cometa e, em menos de nada, chegou junto da noite.

De tão entretida com o seu livro de histórias, a noite nem deu por nada. E mesmo que desse nem podia adivinhar. Não estava habituada a meninos e aos seus doces passos de algodão.

De mansinho, o menino rabino pôs-se a fazer-lhe cócegas nos pés. A noite desatou a rir às gargalhadas. «Ah, Ah, Ah! - Ah., Ah, Ah.!» Tanto se riu a noite que caiu da cama abaixo. E caindo, passou por estrelas, luas e sóis. Todas as luzes se apagaram a sua, passagem e um manto muito grande, negro, de cetim, foi cobrindo aos poucos o mundo inteiro.

O menino rabino, do esforço que fez, ficou tão cansado e com tanto sono que nem perdeu tempo. Deitou-se logo na cama da noite e, antes de adormecer, voltou-se para ela que lá em baixo já tomara conta do mundo inteiro e disse-lhe baixinho: «Adeus, noite... Até amanhã... Boa noite...»

Fascinou-me esta história de José Fanha, até fico com receio de escrever algo sobre ela, é certo que não estou à sua altura, com tamanha imaginação e inspiração, espero com estas palavras não deturpar a sua verdadeira essência.

O fascínio vem todo das crianças, do sonho, do mundo que me muito encanta e me ensina, sem ele, eu já mais conseguiria ter esperança e sorrir por um amanhã, em que a noite não chegou, pois todas as noites são noite... Que bom ser criança corajosa, atrevida... quem não tem essa vontade? Só elas se aventuram a subir bem alto, sem o receio de cair, sem muito pensar... com um puro e simples gesto... são capazes de tudo, para tudo arranjam solução e numa expressão cheia de ternura e, permitam-me dizer, tão «fofinha», fecham os olhos despreocupados e adormecem num sono que eu tanto gostaria de o tornar a ter...

Para mim... basta olhar uma criança, para me sentir Feliz, pois neste mundo adulto, destas coisas dos adultos, e lhes conto um segredo: «eu não me entendo lá muito bem».

Contos por Palavras: , ,
contado por Jorge Oliveira às 16:49

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