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Sábado, 19 de Janeiro de 2008

RELAÇÔES HUMANAS

Aqueles que deixei de escrever, aqueles que nunca leram o que escrevi, aqueles que, de mais perto, tiveram a oportunidade de me conhecer melhor e para aqueles que são especiais e a todos os outros demais aqui deixo estas linhas.
Todos os dias nos debatemos com o dilema de vários tipos de relações com os outros, sejam elas virtuais ou reais.
Estas relações começam cada vez mais a exigir que se crie, expresse e experencie facetas de nós próprios cada vez mais elevadas, pois a concorrência, em aumento exponencial, surge a toda a hora com meios mais sofisticados, sublimes e grandiosos de forma a se poderem afirmar, notar e atraírem a eles um maior número possível de relações.
Este comportamento deve-se ao facto de as pessoas terem uma necessidade de se identificarem com outras pessoas, acontecimentos e lugares, julgando assim, de uma forma mais ou menos consciente, estar bem com a vida.
Existem aqueles que, em nível mais alto, conseguem ao longe observar todo este cenário, sem entrar em cena e, gozando de uma plenitude cosmogónica, passam ao lado deste tipo de relações. Porém, existem aqueles, que não gozando dessa plenitude e não tendo também a arte ou saber para competir, na ausência de relações com os outros, entram num estado de sentimento de abandono e solidão, uma quase não existência de si próprios.
Deparamo-nos com uma evolução (não necessariamente a mais correcta e construtiva) que nos obriga a recriar novas versões de nós mesmos, para poder ser bem sucedidos neste mundo de relações.
Vemos isto aqui na net, nos nossos empregos, nos lugares onde vivemos, na TV, enfim, por todos os lugares e ficamos muito admirados ou desiludidos quando vemos relações, que julgávamos ser sólidas, sérias e reais fracassarem. Não compreendemos que elas fracassaram porque foram simplesmente iniciadas pelo motivo errado, ou melhor foram iniciadas por motivos não totalmente favoráveis à condição de pessoa de cada um, mas por outros motivos mais interesseiros e oportunos, porque quase todas as pessoas entram no mundo das relações com o objectivo de verificar o que podem tirar ou obter com elas e não o que podem meter nelas.
Entre muitas outras frases, ouvimos frequentemente dizer: «eu não era nada se tu não aparecesses um dia na minha vida» ou «sem ti, a vida não tinha significado», é muito romântico e fica muito liricamente bem em poemas que também eu gosto de fazer, mas quase sempre as coisas mudam e começamos a compreender que afinal o outro lado não nos completa, tudo porque criamos expectativas, exercemos uma pressão enorme para ser toda a espécie de coisas que ele ou ela não é. Acabando por aparecer, por fim, muitas vezes a desilusão, o ressentimento e a raiva.
Vamos olhar para as relações, não com o propósito de ter outra pessoa com a qual nos identificamos ou completamos, mas sim com a qual possamos partilhar a nossa própria plenitude.
O nosso maior teste às relações tem a ver com a forma com que o outro corresponde aos nossos ideais e como nós vimos corresponder os ideais do outro em nós, quando, na verdade, deveria ter a ver com a forma como nós correspondemos aos nossos próprios ideais. Teremos que ser honestos e sinceros com nós mesmo.
A tua relação com o outro fracassa quando a encaras como a maior oportunidade da tua vida para criares e produzires a tua mais elevada conceptualização de outro alguém.
Não interessa o que o outro está a ser, a fazer, a ter, a querer, a exigir. Não interessa o que o outro está a pensar, a esperar, a planear. Só interessa o que tu está a ser em relação a isso. Pode parecer egoísta, mas obsessão pelo outro é o que mata uma relação.

Por fim atrevo-me a dizer que ninguém consegue manter por muito tempo uma relação criada por ela, sem que um dia a verdadeira relação da pessoa com ela mesmo se sobreponha à relação do outro.

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contado por Jorge Oliveira às 15:12

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