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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

O Carochinha e o João Ratão da Net.

A história que vou contar.
já multa gente a contou.
As rimas que vou rimar.
já multa gente as rimou.

Nesta história vão entrar
quem o destino marcou:
desgraças, noivas sem par
um rato que escorregou...

Que a história que vou contar
é história de luto e dor.
Em história assim similar
muito sofre o contador.

Pudesse eu remediar
o como a história acabou,
que não estaria a chorar 
ainda ela mal começou. 

Mas já que vou começar
e alguma vez há-de ser,
vejo num quadro exemplar
a Carochinha a varrer.

Menina Carocha Barata
de cara muito laroca
corpinho vestindo bata
não me toques... Quem lhe toca?

No meio do pó do varrer
encontrou uma moeda,
«Estou rica. Não querem ver!»
Aqui a história se enreda.

Acorreram as vizinhas
cada qual com seu conselho:
«Compre fitas e lacinhos.
Compre brincos. Compre espelhos .»

Só o espelho não comprou
que o espelho que queria ter
eram dois olhos que a vissem
na janela do bem-querer.

Sou Carochinha assisada.
Sou bonita e perfeitinha.
Quem me quer para namorada?
Quem me diz «Tu vais ser minha?»

Quem me chama «Meu amor,
bichaninha» e ao ouvido?
Quem me traz do seu calor?
Quem entende o que eu nem digo?

E cantando, apregoava
a cantiga ladainha:
«Quem quer, quem quer, quem quer
casar com a Carochinha?»

«Quero eu» e era um boi.
«Quero eu» e era um cão.
«Quero eu» e era um gato.
E ela a todos que não.

«Quero eu» e era um burro.
«Quero eu», era um pavão.
«Quero eu» e era um galo.
E ela a todos que não.

Enfeitada, apregoava,
com colares de camarinha:
«Quem quer, quem quer, quem quer
casar com a Carochinha?»

«Quero eu», disse-lhe um rato.
«E porquê?», a Carochinha.
«Porque sou o rei do mato
e tu serás a rainha.

Rainha de todo o reino
rainha do coração
minha rainha, só minha
diz-me que sim, nunca não.»

E com palavras assim
em meiga voz de paixão
lá ficou a Carochinha
cativa do João Ratão.

Combinado o casamento
juntaram comeres para a boda
dez feijões de cozimento
que era a riqueza toda.

O padrinho deu toucinho
a madrinha, uma hortaliça.
Do merceeiro, fiado,
também veio uma chouriça !

Ficou o caldo a cozer
enquanto se foram casar.
Nisto disse para a mulher:
«E se a sopa se pegar?»

E se a sopa se pegar?
E se a sopa se pegou?
E se ficamos sem jantar?
Vou lá eu e venho e vou.

Vou lá e venho e vou.
Vou lá e venho e ia.
A Carochinha esperava
e o noivo não aparecia.

Vou lá eu e venho e vou.
Vou lá eu e venho e ia.
A Carochinha chorava. 
Mau agouro que teria.

Chegados aqui, paramos
atalhamos, suspendemos.
A história tem tantos anos
e nós ainda a tememos.

E nós ainda trememos
e a história ainda nos dói
neste transe e desventura
do ratinho nosso herói.

Ia casar-se feliz
com a linda Carochinha...
Foi tentado pelo cheiro
que saía da cozinha...

Empoleirou-se num banco
para provar o feijão.
Deu o banco um solavanco
ficou-lhe no caldo a mão.

Logo após este desastre,
a outra mão lá ficou
e um pé e outro pé
e todo o corpo afundou.

Coitado do João Ratinho
Coitado do João Ratão,
que morreu cozido, assado
guisado no caldeirão.

«Onde estás, meu ratãozinho»,
chamou-o a noiva, em pranto,
mas só topou, na cozinha,
com o chapéu, a um canto.

Quis ir mexer o feijão
para o caldo não bispar
e foi dar, no caldeirão,
com o marido a boiar.

Carochinha em altos gritos
tudo à roda atordoou.
Condoída, uma tripeça
logo ali se desmanchou.

Logo ali se desmanchou
logo ali se desmanchava
e uma porta perguntou
que desgraça se passava.

Mal soube do sucedido
a porta deu o alarme:
«Se morreu o João Ratão
fico a abrir-me e a fechar-me.»

Mal soube do sucedido
o fecho deu o alarme:
«Se morreu o João Ratão
fico todo a desmanchar-me.»

Mal soube do sucedido
o pinheiro deu o alarme:
«Se morreu o João Ratão
fico a puxar-me, a arrancar-me.»

Mal soube do sucedido
a pomba deu o alarme:
«Se morreu o João Ratão
fico eu a depenar-me.»

Mal soube do sucedido
a fonte deu o alarme:
«Se morreu o João Ratão
fico sem gota, a secar-me.»

A rainha veio à fonte
e viu a fonte sequinha,
de luto pelo João Ratão
e com dó da viuvinha.

A rainha mal tal soube
logo ali se condoeu
e disse para quem a ouviu:
«Choram todos. Choro eu .»

Veio o rei, viu-a a chorar
e indagou da razão.
A rainha lhe contou
da morte do João Ratão.

Pôs-se o rei, numa lamúria
de cortar o coração:
«Já não quero mais ser rei
se morreu o João Ratão .»

O mundo quase findou,
choram mil olhos por ti.
Se até um rei abdicou!...
E a história acaba aqui.

 

(Histórias Tradicionais Portuguesas Contadas de Novo)

 António Torrado

Há por ai muita Carochinha (na grande janela da Net as há), à espera de ser rainha, que um dia lhe apareça um lindo príncipe João Ratão, bem parecido, janota e bonitão e se ter um bruto carrão, tanto maior será o seu encanto.

 

Até que um dia o milagre acontece, a fábula passa de sonho à realidade. Eis o João Ratão, um bonito rapazão, mas que belo garanhão! - Vinde cá minha Carochinha, vou-te fazer um juramento, nunca te hei-de atraiçoar, és, de todas, a mais linda rainha, e contigo quer desposar, um e dois dias de amor, sempre com a promessa de que para sempre no seu coração irá morar.


Mas o João Ratão, grande glutão, aproveita para tudo comer e depois, sem temer, acaba por cair em outro caldeirão – "Adeus Carochinha que mais não vos torno a ver. "


A história acaba aqui, a Carochinha sai a chorar, e lastima-se, janelas fechadas, triste desanima por toda aquela desgostosa ruína...

Contos por Palavras: , , ,
contado por Jorge Oliveira às 10:20

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2 comentários:
De Yap... a 22 de Março de 2008 às 04:11
Com esta é que me deixas a pensar...hummm... Não se arranja outro final para as Carochinhas, quer sejam as dos contos de nossa infância, ou as actuais netnianas???
Pensa bem e esforça-te, sinto que tens o poder de mudar estes dois finais! Sugestões? Ok!
Tipo... O João não precisa de morrer... Claro! Nem dá jeito(risos) que uma carochinha de preto, só tem beleza pela cor ser fashion, fora isso, luto não!
Tipo... o João até pode comer e ficar cheio, fugir empanturrado, e voltar a comer outros pratos, mas... acontecer aquele dia, em que terá saudades do aroma que sentiu em tal panela... e voltar correndo para os braços dela! Romântico, não? Ahhh, mas ai, a Carochinha também já pode ter encontrado consolo nos braços de um encantador de serpentes, de tão farta que estava da bicharada residente e pretendente! Risos...
Mas...
Ainda te posso propôr uma terceita opção... Vamos lá...
Em tempos actuais, para começar, proponho que o João Ratão, tenha mais capacidades pessoais, que propriedades materiais, dado que as Carochinhas que conheço, não ligam tanto para as carruagens que as carregam, mas sim para as redes onde se balouçam no final de cada dia, e pela companhia que as mesmas comportam em seu balanço.
Depois, juntos podem sonhar o mundo, para além das suas próprias limitações, em construção de planos, pelo simples prazer de sonharem.
Em aceitação das diferenças, pela magia das descobertas que virão.
Em concessão e liberdade, pois se amar não é sofrer, também não pode ser amarrar nem prender.
E já agora, que vivam felizes para sempre, pois continuo a achar que esse é o final mais díficil, mas o melhor de todos!

PS: Ainda me vais inspirar a criar um Blog no Sapo, só para me aventurar neste mundo de contos...veremos!
Parabéns pelos teus Contos, amei esta visita que me proporcionaste, e agoraaaaa....
Que já é para lá de tarde, Menina Yap... cama já! Prometo que voltarei.
Beijos.

Yap...

De Jorge Oliveira a 22 de Março de 2008 às 13:02
Espero que os meus contos fizessem com que adormecesses num embalar de criança… Bem vou-te dizer (para não dizer contar… rsrsrs), tu tens cá uma imaginação? E mais não digo… outra coisa não seria de esperar, contigo é difícil argumentar, pois escreves de tal forma que fico tão estonteado que começo a dizer coisas sem sentido como se estivesse embriagado…
Com carinho
Jorge

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