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Sábado, 29 de Março de 2008

Gladiadores do sec. XXI

 

Nas civilizações primitivas, os homens lutavam e matavam-se à paulada.

Até há cerca de
2000 anos, durante seis séculos, imperadores romanos promoveram, como entretenimento da plateia dos coliseus, as lutas dos gladiadores, entre si ou contra animais ferozes. Estas lutas eram um espectáculo preferido dos romanos, e o duelo só terminava quando um deles morria, ficava desarmado ou ferido sem poder combater. Nesse momento do combate é que era determinado por quem presidia aos jogos, se o derrotado morria ou não, frequentemente influenciado pela reacção dos espectadores do duelo.

Hoje ainda vemos os animais a lutar uns contra os outros. Destroçam-se, matam-se e... comem-se, é natural, para manterem o seu domínio, o seu território, a sua liderança, a sua sobrevivência e a continuação da sua espécie.

Mas, nós, os Homens, tornamos em gladiadores "civilizados" do século XXI. No palco do coliseu das sociedades, as lutas continuam, só que à maneira das lutas "civilizadas", agindo como os nossos antepassados (fomos bem ensinados).

Os homens de hoje, elegantemente vestidos, com gravatas de seda, fatos caros, camisas finas e de marcas elegantes, demagogas e estereotipadas frases e formas externas bem cuidadas e estudadas, ferem e esmagam os seus opositores sem piedade. Não tão com não menos crueldade, selvagismo e ódio dos imperadores romanos ou de um animal não civilizado. Mas, fazem tudo "civilizadamente". A lei da selva continua de pé.

O mais forte destrói o mais fraco. Há que fazer tudo "civilizadamente". Há que portar-se "civilizadamente". Há que matar-se "civilizadamente". Hoje fazemos tudo "civilizadamente". Dão-se falsas desculpas e mente-se "civilizadamente". Atropelam-se os outros "civilizadamente". Rouba-se "civilizadamente"…

Quanto mais débil e vulnerável é a presa, mais se enfurece o caçador, há que fazer agressão para mostrar a sua força.

Passar por cima de tudo e de todos, ganhar todas as batalhas do dinheiro, tornou-se mais importante do que salvar uma vida, ter amizade e dar atenção a alguém que possa precisar.

Organizações mundiais contra a fome, e dos direitos humanos são constituídas, todos nós tentamos de alguma forma contribuir com algo, dão-se modelos económicos e normas de conduta, falamos e tornamos a falar, contudo, perguntamos: - Porque enriquecem os mais poderosos? Porque, cada vez mais, há pobres a serem engolidos e absorvidos numa triste e cruel miséria?

O mais grave em todo este panorama do nosso mundo "civilizado", é que nos acostumamos a isso, e quase não nos impressiona nem nos preocupa. Sem dar-nos conta, não fazemos mais do que os antigos espectadores das plateias dos coliseus, aplaudimos e depois, decidimos quem vai morrer ou continuar a viver.

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contado por Jorge Oliveira às 12:34

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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

FORTE CASTELO DE AREIA

... (continuação do Frágil Castelo de Areia)


"...Pobre menina crescida que deixou de brincar e sonhar ... O seu mundo ainda se move a risos... Veio uma onda e levou-lhe o castelo."

E porque os risos são pózinhos mágicos, aspirados directamente em nossos corações, essa pobre menina crescida, um dia em simples passe de magia ... voltou a brincar, e se viu mesmo menina em suas fantasias, muito mais que rainha, médica ou princesa, por milagre se viu ...De verdade!!! E sentiu que seu riso era o de outrora, cristalino, sonoro e puro!


Foi nesse instante, tão fugaz, quanto importante, que decidiu reconstruir "Seu Castelo", realinhar o seu areal de mimos, devolver em dobro todos os carinhos de seu povo, em abraços alimentar seus iguais, pois essa menina vivia, sorria, amava de novo... e isso era Demais!
Não que agora seus predicados fossem estranhados, pois em sua perca, forma mais que esperados!


Então a Menina mimou muito, amou demais, a si, a seus sonhos, a todos e todos, pois só assim se fez de fantasias, alegrias, risos puros e bons, de que esse Mundo/Reino tanto necessitam, pois ser Realeza ou Divindade, é só para quem tem pureza em seu coração!

 

Contributo de ROSA FONSECA (Amiga invisível, mas tão bem conhecida!) 


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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

FRAGIL CASTELO DE AREIA

 

Era uma vez uma menina. Menina essa que era o centro do mundo. Talvez não o fosse, mas sentia que a ela pertencia... Essa menina sempre teve rios de amor à sua volta, mares de sorrisos, cascatas de beijos... essa menina só podia ser feliz. E era! Era uma menina feliz ...

Essa menina abusava na sua oferta. Dava o que tinha e o que não tinha. Essa menina tinha castelos e nele punha todo o seu mundo. Essa menina era médica e curava todos os seus povos. Essa menina era Rainha, e sempre havia festa no seu reino. A menina era por vezes “condenada” por metralhar o seu mundo de beijos e abraços.

Mas não seria essa a essência da menina?! Uma fragrância de flores, coberta de beijos ... fustigada a abraços. A menina tinha o titulo do Riso! O mundo parava se não estava a rir ... Uma dia parou E então a menina viu que, na verdade, só ela tinha parado. Essa menina foi crescendo. O encanto dela nunca se perdeu e ás vezes ainda se apercebe que pode ser um “pequeno mundo” de alguém ... Pobre menina. Pobre menina crescida que se tornou em anémona. Com o toque retrai ... Pobre menina crescida que foge com o olhar ... Pobre menina crescida que para um estranho lugar foi viver. Sem castelos, rios ou cascatas ... Pobre menina crescida que deixou de brincar e sonhar ... O seu mundo ainda se move a risos... Veio uma onda e levou-lhe o castelo...

(continua no post seguinte, do dia 28.MAR)...

 

 

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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

AMIGO

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em um determinado ponto da viagem discutiram.
O amigo ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:

HOJE, O MEU MELHOR AMIGO BATEU-ME NO ROSTO.

Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou um estilete e escreveu numa pedra:

HOJE, MEU MELHOR AMIGO SALVOU-ME A VIDA.

Intrigado, o amigo perguntou:

Por que depois de te bater,  escreveste na areia e agora que te salvei, escreveste na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

- Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória e do coração; onde vento nenhum do mundo poderá apagar.

Contos por Palavras:
contado por Jorge Oliveira às 10:05

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Terça-feira, 25 de Março de 2008

O PATO E A CORUJA

 

Era uma vez uma bétula que se erguia no meio de um prado.
Mesmo à beirinha do prado cintilava um charco onde um pato nadava em círculo, mergulhando o bico de vez em quando.
O pato subiu para terra, sacudiu-se e olhou para o cimo da árvore.

Após ter olhado algum tempo, gritou:

— Eh, tu, aí em cima!
— Uhm — resmungou uma voz lá em cima, na bétula.
— És uma coruja a sério? — pergunta o pato.
— Uhm.
— Ora chega cá abaixo — gritou o pato.
— Uhm — resmungou a coruja a bocejar. E esvoaçou para o chão.
— Oh! — disse o pato. — Nunca pensei que uma coruja tivesse asas tão bonitas.
— Uhm — tornou a coruja, contente por o pato achar bonitas as suas asas.
— Porque é que estás sempre a dizer Uhm? Não sabes dizer mais nada?
— Claro que sei — disse a coruja — mas não me apetece. Estava a dormir.
— Oh, meu Deus! — exclamou o pato. — Como é que tu consegues dormir em pleno dia? Ninguém consegue!
— Não percebo o que queres dizer — respondeu a coruja. — Durmo sempre de dia.
— Isso é esquisito — disse o pato. — De noite é que se dorme.
— Dormir de noite, dizes tu? De forma alguma! A noite é demasiado excitante para ser gasta a dormir. É quando está escuro, é quando se arregalam bem os olhos, e se espera que passe alguma coisa que se possa comer.
— Não estás boa da cabeça! — disse o pato. — A comida não passa. Tem de se nadar, mergulhar e procurar até encontrar.
— Que forma mais disparatada de comer! — murmurou a coruja.
O pato zangou-se.
— Não é nada disparatada, é o normal! — disse, furioso.
— Não estás bom da cabeça! — respondeu a coruja. — Normal é pairar às escuras no bosque sem fazer barulho. E, então, quando algum animalzinho se mexer nas folhas secas, caímos-lhe em cima rapidamente e comemo-lo.
— Que horror! — gritou o pato. — Só de pensar nisso fico logo enjoado.
— E tu, o que é que comes? — berrou a coruja, que também estava zangada. — Comes alpista para patos. Que nojo! Até fico enjoada! E como é que se consegue comer durante o dia!

O pato até assobiou de raiva.
— Fica a saber que é de dia que se come! Todos fazem isso!
— Ora, ninguém faz isso! — gritou a coruja. — Quando fica escuro é que se tem fome a sério.
— Isso é uma estupidez! — grasnou o pato — Estupidez, estupidez, estupidez!!

E ali estavam os dois no meio do prado a discutir.
A coruja abriu e fechou o bico um par de vezes como se estivesse a pensar, e depois sacudiu-se.

— Ó pato — perguntou a coruja — afinal porque é estamos a discutir? Ainda te lembras porque é que começámos?
— Claro — responde o pato. — Porque tu fazes tudo mal. É por isso…
— Não é verdade — disse a coruja. — Eu não faço nada errado. Faço é de maneira diferente, e, assim, também dá. Faço como fazem todas as corujas.

- E eu faço como fazem todos os patos. Tens razão. Não é preciso discutir por causa disso.

"Ah", pensava a coruja para si, "por sinal, até gosto do pato. Tem uma maneira esquisita de ver as coisas, mas será que, apesar disso, não podemos ser amigos?…"

— Mas que pés esquisitos tu tens! — observou a coruja.
— Não são esquisitos — responde o pato — são práticos. São para nadar.
— Para nadar, talvez sejam bons — opinou a coruja. — Quando se gosta de nadar. E, vendo melhor, até os acho bonitos.
— A sério? — sussurrou o pato.
— Anda comigo — disse a coruja de seguida— já me doem as pernas de estar aqui em baixo. Vamos pôr-nos confortáveis, em cima da bétula.
— O quê? — perguntou o pato.
— Vamos voar lá para cima — responde a coruja. — Em cima das árvores está-se melhor.

O pato nunca na vida tinha pousado numa árvore, mas se isso dava alegria à coruja, quis experimentar.
— Como queiras — respondeu.

E voaram os dois lá para cima; instalaram-se num ramo de onde podiam ver tudo em redor.
— Aqui tem-se melhores vistas — disse a coruja satisfeita.
— Bem… — murmurou o pato.

Olhava para o prado e para o charco onde o sol reluzia. Não gostou mesmo nada de pousar tão alto em cima de uma árvore. Esteve o tempo todo com medo de cair.

— Isto aqui não é bom — disse ele para a coruja. — Vamos antes nadar para o lago.
— Deves ter ficado maluco, de certeza! — gritou a coruja.
— Para a água? Mas tu queres matar-me?
— Não te exaltes! — disse o pato. — Se queres, sentamo-nos então outra vez na erva. Vocês, corujas, são demasiado estúpidas para nadarem.
— E vocês, patos, são tão estúpidos que nem sabem pousar numa árvore!
— Oh, meu Deus — disse o pato. — Lá estamos nós a discutir outra vez.
— É porque tu começas sempre — retorquiu a coruja.
— Isso não é verdade — berrou o pato, furioso. — Não fui eu, tu é que começaste!
— Não, foste tu! — gritou a coruja.
— Ei, porque é que estás a gritar assim? — disse o pato.
— Eu não estou a gritar, tu é que estás! — disse a coruja.
— Não, tu é que estás!
— Oh, meu Deus! — disse a coruja. — Basta! Porque é que só sabemos discutir um com o outro?
— Porque tu fazes tudo errado.
— Eu não! — disse a coruja. — Tu é que fazes!
— Não, tu é que fazes! — disse o pato.
— Mas isso não tem importância. — disse a coruja. — Não é preciso discutir por uma coisa dessas.
O pato pensou melhor e disse:
— Também acho, não é preciso discutir por isso. Mas, olha, quem é que começa sempre?
— Eu acho que és tu.
— Não deves estar boa da cabeça — disse o pato. — Tu é que começas sempre!
— Uhm — disse a coruja — às vezes começo eu e tu imitas-me em seguida.
— Eu? — gritou o pato e bateu as asas com força.
— Não faças tanto vento — disse a coruja. — Queres que eu caia daqui a baixo?
— Pronto, está bem — diz o pato. — Mas se queres que sejamos amigos, tens de acabar com a discussão.
— Pára tu! — disse a coruja.

Então o pato começou a rir e disse:
— Basta! Além disso, estou a ficar com fome. E a fome deixa-me impaciente. Vou mas é procurar alguma coisa para comer.
— E eu estou cansada. E sempre que fico cansada, fico zangada. Agora vou mas é dormir.

O pato voou para baixo. Aterrou no lago, voltou-se, olhou para cima e gritou:
— Então adeus, coruja. Dorme bem.
— Uhm — respondeu a coruja, sonolenta. — Dorme tu também, pato.

Já tinha os olhos quase a fecharem-se.
— Ah, é verdade — disse de seguida — tu não dormes. Só dormes quando fizer escuro. Bom dia para ti, pato. E até à próxima!

Hanna Johansen

 

Todos somos diferentes, mas, ao mesmo tempo, iguais, comemos e dormimos… e fazemos o mesmo que os outros, só em tempos diferentes. Porque levamos tão a sério as nossas diferenças e andamos numa luta constante para mostrarmos que somos mais normais e melhores que os outros?


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contado por Jorge Oliveira às 00:49

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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

ACASO OU DESTINO

 

No mês de Agosto de 2001, Moshê (nome fictício), um bem sucedido empresário judeu, viajou para Israel em negócios.
Na quinta-feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido numa pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech George, no centro de Jerusalém. O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa, mas ele não tinha tanto tempo.
Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.
Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelita perguntou-lhe se ele aceitaria ficar no seu lugar na fila à frente.
Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez o seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direcção à sua próxima reunião.
Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s. Moshê ficou branco.
Por apenas dois minutos ele escapara do atentado.
Imediatamente lembrou-se do homem israelita que lhe oferecera o lugar na fila. Certamente ele ainda estava na pizzaria.
Aquele homem tinha salvo a sua vida e agora poderia estar morto.
Aterrorizado, correu para o local do atentado para verificar se ele necessitava de ajuda, mas encontrou uma situação caótica no local.
A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo.
Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, sendo seis crianças.
Cerca de outras noventa pessoas ficaram ferida, algumas em condições críticas. As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada.
Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de qualquer forma. Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensanguentadas eram socorridas por policias e voluntários.
Uma mulher com um bebé coberto de sangue implorava por ajuda.
Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado pelo exército.
Moshê procurou seu "salvador" entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.
Decidiu  tentar todas as formas de saber o que acontecera com o israelita que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.
Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida. O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.
Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.
Finalmente encontrou o israelita num leito de um dos hospitais. Estava ferido, mas não corria risco de vida. Moshê conversou com o filho daquele homem, que estava lá a acompanhar o seu pai, e contou tudo o que acontecera.
Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momento, Moshê despediu-se do rapaz deixando-lhe um cartão seu, caso o seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.
Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema no seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência.
Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets. Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias.
Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.
Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão.
Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas ofereceu-me um lugar na fila ..."
Mas não Moshê. Ele sentia-se profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.
Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo e não foi trabalhar.
Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de Setembro de 2001. Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center Twin Towers.

 

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Sábado, 22 de Março de 2008

NESTA PASCOA PENSA COMIGO

Tentamos procurar um sinal, um princípio de tudo, esperando que chegue até nós através dos outros ou das coisas o que queremos sentir.
Quantas vezes sem conta abrimos a nossa caixa de correio, o nosso email, para ver se temos cartas ou mensagens e se lembraram de nós. Por mais que nos esforcemos, queremos estar é com quem nos dá atenção e quase esquecemos quem a nós não nos diz nada, pelo seu silêncio.

Procuram-se recordes de visitas as nossos blogs, a livros que se escrevem, às musicas que se fazem… existe sempre um TOP +. Ser centro de atenções. Estamos sempre à espera da atenção ou reconhecimento de algo ou alguém. Se não o conseguimos tentamos seguir os TOP's + para estarmos com os outros e assim sentirmos gente. 

Haverá um dia, de certo, em que essa atenção nunca chegará (o nosso dia). E se todos pensassem que o principio das coisas tem que partir dos outros e não de nós? Ninguém jamais conseguiria comunicar, porque estaria eternamente à espera que o outro lado deixe o primeiro sinal, só que o outro lado, seguindo este princípio, também pensaria assim, nada aconteceria, e o mundo não poderia avançar. Quantos amores e amizades não assim não se perdem?

Talvez percamos tempo demais a esperar, é muito mais fácil receber do que dar, quando deveria ser ao contrário. Os outros e as coisas parecem-nos desiludir quando teimam a chegar tarde, como se essa fosse uma obrigação sempre dependente de uma terceira parte envolvente e não de nós próprios. O que sabemos nós do silêncio dos outros e das coisas, apenas conhecemos o nosso e só nós sabemos se temos ou não tempo para dar e estar com os outros, nunca saberemos o que fundamenta a ausência do outro lado, mas sabemos da nossa presença.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um de nós pode começar agora e fazer um novo fim para abrir caminho a um novo princípio.

Lamentamo-nos que a vida é cheia de desencontros, será que já nos encontramos a nós próprias para podermos encontrar alguém?

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