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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

A Loja da Verdade

O homem passeava pelas ruazinhas da cidade provinciana. Como dispunha de tempo, parava alguns instantes à frente de cada loja, de cada praça.
Ao virar de uma esquina encontrou-se, de repente, perante um modesto estabelecimento cuja montra estava vazia.
Intrigado, aproximou-se do vidro e encostou a cara para poder espreitar lá para dentro...
No interior via-se apenas um cartaz escrito à mão anunciando:
Loja da Verdade
O homem ficou surpreendido. Pensou que era um nome a brincar, mas não conseguiu imaginar o que lá venderiam. Entrou. Aproximou-se da rapariga que estava ao balcão e perguntou:
- Desculpe, esta é a loja da verdade?
- É sim, senhor. Que tipo de verdade procura? Verdade parcial, verdade relativa, verdade estatística, verdade completa?
Portanto, vendia-se ali a verdade. Nunca imaginara que fosse possível. Entrar numa loja e sair com a verdade era maravilhoso...
- Verdade completa! - respondeu o homem sem hesitar.
(Estou tão cansado de mentiras e falsificações - pensou - Não quero mais generalizações nem justificações, enganos ou fraudes.)
- Verdade plena! ratificou.
- Esta bem, meu senhor. Siga-me.
A rapariga acompanhou o cliente a outro sector e, apontando para um vendedor de rosto sério, disse-lhe:
- Aquele senhor vai atendê-lo.
O vendedor aproximou-se e esperou que o homem falasse.
- Venho comprar a verdade completa.
- Ah... Perdoe-me, mas o senhor sabe o preço?
- Não, qual é? - respondeu casualmente.
Na realidade, sabia que estava disposto a pagar fosse o que fosse pela verdade absoluta.
- Se o senhor a levar - disse o vendedor - o preço é nunca mais ter paz de espírito.
O homem foi percorrido de alto a baixo por um arrepio. Nunca imaginara que o preço fosse tão elevado...
- Obri... obrigado... desculpe! balbuciou.
Deu meia volta e saiu da loja, de olhos postos no chão. Sentiu-se um pouco triste ao perceber que ainda não estava preparado para a verdade absoluta, que ainda precisava de algumas mentiras para ter descanso, alguns mitos e idealizações nos quais se pudesse refugiar, algumas justificações para não ter de se enfrentar a si mesmo...
(Talvez um dia... mais tarde...) pensou.

(baseado num relato de A de Mello, El canto del pajaro)

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contado por Jorge Oliveira às 15:40

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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

De Quem Gostamos Afinal?

Eu estava correndo e de repente um estranho tropeçou em mim:
- "Oh, desculpe”, foi a minha primeira reacção.
E ele disse:
- "Ah, de nada. Quem tem que pedir desculpas sou eu, pois fui eu quem não vi o senhor!"
Nós fomos muito educados um com o outro, aquele estranho e eu.
Até que então, despedimo-nos e cada um foi para seu lado.
Mas em nossa casa, acontecem histórias diferentes.
Como nós tratamos aqueles que amamos...???
Mais tarde naquele dia, eu estava fazendo o jantar e meu filho pôs-se ao meu lado, tão silenciosamente que eu nem percebi. Quando eu me virei, apanhei um grande susto, pois quase o queimava e comecei logo a ralhar com ele.
"Sai já daqui, antes que leves uma palmada!"
E eu disse aquilo com certa agressividade.

E ele foi embora, com os seus grandes olhos, já vertendo algumas lágrimas, certamente com seu pequeno coração destroçado.

Eu nem imaginava como tinha sido áspero com ele.

À noite, quando me fui deitar, dei comigo a pensar sobre o sucedido, pois, não estava de consciência tranquila, e disse para mim mesmo:
"Quando falava com um estranho, fui o mais amável possível!

Mas com seu filho, a criança que eu amo, eu nem sequer me preocupei com isso!
Não tinha reparado logo que no chão da cozinha, estava uma moldura com a sua foto.
Ele ficou quietinho para não estragar a surpresa e eu ralhei com ele.

Nesse momento, eu senti-me muito pequeno. E agora, era o meu coração que tinha ficado destorcido. Então, levantei-me e eu fui até a cama dele, ajoelhando-me a seu lado.
- "Acorda filhinho, esta é a moldura que tu me trouxeste?"

Ele sorriu:

- "Fui eu que a fiz para te oferecer.
Eu fiz-a, para tu colocares na tua secretária e te lembrasses de mim todos os dias!"
Eu disse:

- "Filho, eu sinto muito pela maneira como agi hoje. Desculpa! Eu não devia ter gritado contigo daquela maneira."
-"Não faz mal, pai, eu sei que tu às vezes te zangas comigo!"

Todos nós devemos parar para pensar que, se morrermos amanhã, a empresa para qual trabalhamos poderá facilmente nos substituir em uma questão de dias.

Mas as pessoas que nos amam, a família que deixamos para trás, sentirão essa perda para o resto de suas vidas?

E nós raramente paramos para pensar nisso.
Às vezes colocamos nosso esforço em coisas muito menos importantes que a nossa família, os nossos amigos, as pessoas que nos amam, e não nos damos conta do que realmente estamos perdendo.
Perdemos o tempo de sermos carinhosos, de dizer um "Eu te amo", de dizer um "Obrigado", de dar um sorriso, ou de dizer o quanto cada pessoa é importante para nós.
Ao invés disso, muitas vezes agimos com rudeza, e não percebemos o quanto isso magoa realmente quem gosta mesmo de nós

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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

O Estado da Justiça Em Portugal

Num juízo de uma pequena cidade em Portugal, o advogado de acusação chamou a sua primeira testemunha; uma velhinha de idade avançada.

Aproximou-se da testemunha e perguntou:

- Sr.ª. Ermelinda, a senhora conhece-me?

A senhora respondeu:

- Claro que te conheço. Conheço-te desde pequenino e, francamente, desiludiste-me. Mentes descaradamente, enganas a tua mulher, manipulas as pessoas e falas mal delas pelas costas. Julgas que és uma grande personalidade quando nem sequer tens inteligência suficiente nem para ser varredor. Claro que te conheço.

O advogado ficou branco, sem saber que fazer. Depois de pensar um pouco apontou para o outro extremo da sala e perguntou:

- Sr.ª Ermelinda conhece o defensor oficioso?

Responde a velhinha:

- Claro que sim. Também o conheço desde a infância. É frouxo, tem problemas com bebida, não consegue ter uma relação normal com ninguém e na qualidade de advogado bem, aí... é um dos piores que já vi. Não esqueço também de mencionar que engana a mulher com três mulheres diferentes, uma das quais, curiosamente, é a tua mulher. Sim, conheço-o.

Claro que sim.

- O defensor ficou em estado de choque.

O Juiz, então, pediu a ambos os advogados que se aproximassem do estrado e com uma voz muito ténue diz-lhes:

- Se a algum dos dois, ocorrer perguntar à aquela velha se me conhece, juro-vos pela justiça portuguesa que vão todos presos.

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contado por Jorge Oliveira às 15:38

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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

PARA QUEM O TRABALHO É UMA OBRIGAÇÂO

Numa bela cidade, tinham sido descobertos alguns achados arqueológicos e vestígios de um local de passado longínquo. As descobertas foram alvo de notícia por todo o lado. Os governantes locais decidiram então construir nesse lugar um grande museu.

A grandiosa construção deu trabalho a muitos homens daquela zona, sendo muitos os homens que lá estavam a trabalhar. A actividade era intensa, desgastante e com bastante trabalho árduo e variado.

Dado ser uma construção de primordial importância, para a cidade, região e também para o País, era visitado constantemente por personagens importantes. Até que um dia uma grande figura, em visita ao local, apercebeu-se de três trabalhadores que estavam a fazer um dos serviços mais árduos daquela obra, consistindo em acarretar pedras para o local a onde eram necessárias, impressionada pelos esforços dos operários quis saber como cada um estava-se a reagir a tal trabalho, aproximando-se do primeiro perguntou-lhe:

 - Que estás a fazer?

O trabalhador, olhando-o assombrado, disse:

- Não vê? Estou de rastos a acarretar pedras, cansado deste serviço, enquanto Você ai está sem fazer nada. Não se conformando com as inclemências da vida.

Aproximou-se de outro e perguntou-lhe: - Que estás a fazer?

E ele respondeu: - Estou a trabalhar para ganhar o meu sustento e da família, enquanto outros ganham muito mais que eu à boa vida. Também este não se conformou com a incomplacência do destino.

Por fim, aproximou-se do terceiro e disse-lhe:
- Que estás a fazer tu?

Este, erguendo a cabeça, com orgulho e alegria, disse:
- Estou construindo um património para a Humanidade!

Esta história mostra-nos duas verdades:

Primeira, por mais que não consigamos entender, há sempre quem tenha nascido em berço de ouro e nada precise fazer para trabalhar, apenas temos que nos habituar a esta ideia e não os invejar por isso, mas lutar por nós.


Segunda, todos aqueles que não nasceram em berço de ouro têm que trabalhar. Muitas são as maneiras de trabalhar. Mas são poucos os que sabem fazê-lo como deve ser.
Poucos se dão conta de que o trabalho, mais que um fardo pesado, é a realização de uma obra divina. Poucos se dão conta de que o trabalho, seja qual for, é, ou deve ser sempre, o desenvolvimento e expressão das capacidades que somos como seres humanos.


O trabalho é, ou deve ser, não só um meio de satisfazer as necessidades físicas elementares, mas também de satisfazer essa outra necessidade muito mais profunda de expressar as capacidades internas e sentir o gozo de ver satisfeitas e cumpridas essas necessidades internas ao desenvolver as próprias potencialidades.

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contado por Jorge Oliveira às 17:09

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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Uma Prenda Diferente

O Sr. Silva está furioso. O filho da vizinha, um bebé de apenas dez dias, voltou a acordá-lo. Chora muito. E chora com muita força.

Depois do almoço, o Sr. Silva gosta de dormir uma horita mas o bebé do lado não o deixa.
– Que criança horrível – resmunga, às voltas no sofá.

A vizinha trouxe-a para casa há três dias, e há três dias que ela começa a gritar de cada vez que o Sr. Silva quer fazer a sesta.

Hoje sente-se particularmente incomodado porque está desiludido e de mau-humor. É o seu aniversário. Faz sessenta anos, mas ninguém lhe deu os parabéns. Ninguém lhe mandou um postal. Na caixa do correio só encontrou um prospecto de publicidade que amarrotou e meteu de imediato no fogão.

Durante algum tempo, o Sr. Silva olha fixamente para a parede que o separa da casa da vizinha. Depois, levanta-se de um salto e atravessa a sala com o punho erguido. Enfurecido, bate na parede até a mão lhe doer.

– Ora ainda bem! – diz, satisfeito. O bebé deixara de chorar de um momento para o outro.
Naquele instante, toca a campainha da porta.

Do lado de fora, a vizinha, com o bebé nos braços, sorri embaraçada para o Sr. Silva.

– Desculpe – disse. – Eu pensei que...
– O quê? – pergunta o Sr. Silva de testa franzida.
– Que tivesse caído ou que se sentisse mal e precisasse de ajuda – disse de uma só vez. – Por isso, vinha ver se precisava de alguma coisa.

– Se eu precisava de alguma coisa? – suspira o Sr. Silva. – Porquê?

"Ela está a falar a sério" – pensa confuso. A vizinha ouviu o bater dele mas percebeu mal: pensou que o vizinho estava a precisar de ajuda.

O Sr. Silva coça a barba rala, olha para a cara vermelha do bebezinho e pergunta:
– Ele é ainda muito novinho, não?

– Tem dez dias e quatro horas – responde a vizinha. – Chama-se Catarina. O meu marido e eu estamos muito felizes, porque era mesmo uma menina que queríamos.

O Sr. Silva tossica.

– Oh... ela já tem cabelo!

– Ah, um ou outro, muito finos – diz a vizinha, recuando devagar em direcção à sua porta. – Desculpe, agora tenho de ir dar-lhe de comer. Eu sigo as recomendações à risca, sabe.
– Claro! – diz o Sr. Silva.

Pela fresta da porta, a vizinha acena com a cabeça.

– Fico contente por estar tudo bem com o senhor.

Em casa, o Sr. Silva anda de um lado para o outro profundamente surpreendido. Ela está contente por estar tudo bem com ele. Há uma pessoa que se preocupa com ele. Afinal não está tão só como pensava. O Sr. Silva nem cabe em si de contente. Afinal, sempre recebeu uma prenda de aniversário e, ainda por cima, bem bonita!

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contado por Jorge Oliveira às 15:36

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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Um Minuto

Ouvindo o tiro, o vizinho entrou naquele apartamento, e ao lado do corpo encontrou uma carta assim escrita:

" Já não dava mais para suportar. Passei a noite toda como um louco pelas ruas. Fui a pé... não tinha condições nem para conduzir.

Perdi meu emprego por injustiça feita contra mim. Nada mais consegui.

Ontem telefonaram avisando que minha pequena moradia no campo foi incendiada. Estava ameaçado de perder este apartamento por não ter podido pagar as prestações.

Só me restou um carro tão desgastado que nada vale.

Afastei-me de todos os meus amigos com vergonha desta humilhante situação. ... e agora, chegando aqui, não encontrei ninguém... fui abandonado e levaram até minhas melhores roupas!

Aquele que me encontrar, faça o que tem que ser feito. Perdão. "


O vizinho dirigiu-se ao telefone para chamar a polícia. Quando esta chegou viu que havia um recado no gravador de mensagens.

Era a voz da mulher do falecido:

" Olá! Sou eu! Liga para a firma!

Eles reconheceram o engano e tu foste chamado de novo para a semana que vem! Dizem que te pagam estes dias e para descansares o resto da semana. O dono do nosso apartamento disse que tem uma boa proposta para não o perdermos. Estamos na nossa casinha de campo. A história do incêndio foi uma brincadeira de mau gosto que alguém resolveu arranjar para entreter os bombeiros! Isso merece uma festa, não achas? Todos os nossos amigos estão vindo para cá. Um beijo! Já coloquei as roupas que mais gostas bagageira do carro. Vem! "

Assim como num minuto é o tempo suficiente para se perder uma vida, também um minuto é tempo suficiente para mudar tudo. No último minuto, espere mais um minuto. Esse minuto pode fazer toda a diferença

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

A importância de um amigo

Um dia, durante uma conversa entre advogados, me fizeram uma pergunta:
- O que de mais importante já fez na sua vida?

A resposta veio-me à mente na hora, mas não foi a que respondi, pois, as circunstâncias, não eram apropriadas.

No papel de advogado da indústria do espectáculo, sabia que os assistentes queriam escutar anedotas sobre meu trabalho com as celebridades.

Comecei o dia jogando golfe com um ex-colega e amigo meu que há muito não o via.
Entre uma jogada e outra, conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um.
Ele me contava que sua esposa e ele acabavam de ter um bebé.

Enquanto jogávamos chegou o pai do meu amigo que, consternado, lhe disse que seu bebé parara de respirar e que fora levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro de seu pai e se foi.

Por um momento fiquei onde estava, sem pensar nem mover-me, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer:

Seguir o meu amigo ao hospital? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada pois a criança certamente estaria sob cuidados de médicos, enfermeiras, e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.

Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse.

A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar. Decidi que mais tarde iria ver o meu amigo. Quando dei à chave do meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro, aberto e com as chaves na ignição, estacionado junto aos campos de ténis. Decidi, então, fechar o carro e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.

Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam.
Entrei sem fazer ruído e fiquei junto a porta pensando o que deveria fazer.

Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebé.

Durante os instantes que ficaram abraçados - a mim pareceu uma eternidade - choravam enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor.

O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança.

Meus amigos ficaram de pé e caminharam resignadamente até a porta.

Ao me ver ali, aquela mãe abraçou-me e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse:

- Muito Obrigado por estar aqui!

Durante o resto da manhã fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebé, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida. Aquela experiência me deixou três lições:

 

Primeira, o mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, mas nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exercia a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que eu deveria fazer, me serviu naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e eu nada poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los. Isto era o principal.


Segunda, estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi na universidade, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como fazia na profissional.

Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que
deveria ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhado meu amigo ao hospital.


Terceira, Aprendi que a vida pode mudar num instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem com os outros. Assim fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas, podem alterar este futuro num piscar de olhos.


Para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. Desde aquele dia busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder férias, dissolver um casamento ou passar um dia festivo longe da família.

E aprendi que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras.

O mais importante da vida é ter tempo para cultivar uma amizade.

Esta história foi-me enviada num daqueles emails que gostamos enviar aos amigos, não sei se a mesma é verídica e qual o seu autor, este facto, no entanto, para mim é insignificante, que me desculpe quem a escreveu, mas essa pessoa saberá o que realmente importa, não é o nome do autor, nem a autenticidade. Ela terá sempre um autor e será sempre verdadeira, porque a qualquer altura ela pode fazer, de uma forma ou de outra, parte da nossa existência. Apesar de uma história bastante triste, ela me deu a alegria de compreender um outro lado da vida e aprender a sorrir sempre diante uma amizade.

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contado por Jorge Oliveira às 19:28

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