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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

É Natal, vale a pena pensar.

Num oásis escondido numa das mais longínquas paisagens do deserto, encontrava-se o velho Ibn Ammar(1), de joelhos, ao lado de umas palmeiras de tâmaras.

O seu vizinho Al-Mu’tadid(2), o endinheirado mercador, deteve-se no oásis para descansar os camelos e viu Ibn Ammar a transpirar, enquanto cavava na areia.

- Então, velho? Que a paz esteja contigo.
- E contigo - respondeu Ibn Ammar, sem abandonar a sua tarefa.
- Que fazes aqui, com este calor e com essa pá nas mãos?
- Estou a semear - disse o velho.
- Que semeias aqui, Ibn Ammar?
- Tâmaras - disse Ibn Ammar, apontando para as palmeiras à sua volta.
- Tâmaras! - Repetiu o recém-chegado. E fechou os olhos como quem escuta a maior estupidez do mundo, com compreensão. - O calor prejudicou-te o cérebro, querido amigo. Vem, deixa essa tarefa e vamos à loja beber um copo de licor.
- Não, tenho de acabar de semear. Depois, se quiseres, vamos beber um copo...
- Diz-me, amigo. Quantos anos tens?
- Não sei... Sessenta, setenta, oitenta... Não sei... Esqueci-me. Mas que importância tem isso?
- Olha, amigo. As tamareiras demoram mais de cinquenta anos a crescer e só quando se transformam em palmeiras adultas estão em condições de dar fruto. Não te desejo mal, como sabes.

Oxalá vivas até aos cento e um anos, mas tu sabes que dificilmente poderás colher o que semeias hoje. Deixa isso e vem comigo.

- Olha, Al-Mu’tadid. Comi as tâmaras que outra pessoa semeou, outra pessoa que também sonhou em comê-Ias. Eu semeio, hoje, para que outros possam comer, amanhã, as tâmaras que estou a plantar... E nem que seja em honra desse desconhecido, vale a pena terminar a minha tarefa.

- Deste-me uma grande lição, Ibn Ammar. Deixa-me pagar-te com um saco de moedas esta lição que hoje me deste. - E, dizendo isto, Al-Mu’tadid pôs na mão do velho um saco de couro.

- Agradeço-te as moedas, amigo. Como vês, às vezes acontecem coisas destas: o teu prognóstico é que eu não chegarei a colher o que semeei. Parece verdade e, no entanto, olha, ainda não acabei de semear e já colhi um saco de moedas e a gratidão de um amigo.

- A tua sabedoria espanta-me, velho. Esta é a segunda grande lição que hoje me dás e talvez seja mais importante ainda do que a primeira. Deixa-me pagar-te também por essa lição com outro saco de moedas.

- Às vezes acontecem coisas destas - prosseguiu o velho, e estendeu a mão, olhando para os dois sacos de moedas: - Semeei para não colher e, antes de acabar de semear, colhi não uma, mas duas vezes.

- Chega, velho. Não continues a falar. Se continuares a ensinar-me coisas, tenho medo que toda a minha fortuna não seja suficiente para te pagar...

Semeamos hoje para colher amanhã. O mal do homem é pensar que consegue alcançar sempre tudo nesta vida. Eu não creio que em toda a minha vida, por mais longa que imagine chegar a desfrutar de uma plenitude. Talvez num outro NATAL qualquer, quem sabe alguém vá saborear uma tâmara que hoje neste Natal tu plantaste.

(1) e (2) Os nomes árabes que utilizei nesta história, Ibn Ammar e Al-Mu’tadid, foram em homenagem a dois grandes poetas árabes da região, o primeiro de Estombar e o segundo de Silves.

Deixa-me que te conte:
Contos por Palavras: , , , ,
contado por Jorge Oliveira às 21:33

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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

A Corrente e a estaca

Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais... Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.

No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um animal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.
O que é que o prende, então?
Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
- Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.

Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.

Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro... Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.

Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força...

Todos somos um pouco como o elefante do circo: seguimos pela vida fora atados a centenas de estacas que nos coarctam a liberdade.

Vivemos a pensar que «não somos capazes» de fazer montes de coisas, simplesmente porque uma vez, há muito tempo, quando éramos pequenos, tentámos e não conseguimos.
Fizemos, então, o mesmo que o elefante e gravámos na nossa memória esta mensagem: «Não consigo, não consigo e nunca hei-de conseguir.»
Crescemos com esta mensagem que impusemos a nós mesmos e, por isso, nunca mais tentámos libertar-nos da estaca.

Quando, por vezes, sentimos as grilhetas e as abanamos, olhamos de relance para a estaca e pensamos: «Não consigo e nunca hei-de de conseguir».
Vivemos condicionados pela lembrança de uma pessoa que já não existe, que não foi capaz. A única maneira de saber se somos capazes é tentar novamente de corpo e alma... e com a força do coração.

 

Nota: Os comentários já feitos a este post, não dizem respeito a este post, mas a um post mais antigo que tinha sido publicado aqui em vez deste. Dado ao facto de estar a actualizar o meu blog, com post recentes, reterei os antigos, deixando, no entanto, os comentários.

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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

O Diamante Escondido

Esta, é de certo a maior prenda que vos posso oferecer, quer em escrita (bastante grande) quer em sentimento, não deixando, por isso de ser apenas uma pequena lembrança. Peço desculpa, desde já, a quem não gosta de ler, pois não V/ poderei oferecer mais nada.
Num país longínquo, vivia um camponês.

Ele era dono de um pequeno pedaço de terra, no qual cultivava cereais, e de um jardinzinho que fazia as vezes de horta, onde a sua mulher plantava umas quantas hortaliças para ajudar no parco orçamento familiar.

Um dia, enquanto trabalhava no campo, puxando com o seu próprio esforço um rudimentar arado, viu entre os bocados de terra uma coisa que brilhava intensamente. Quase desconfiado, aproximou-se e pegou nela. Era uma espécie de vidro enorme. Ficou surpreendido com o seu brilho ofuscante quando os raios de sol incidiam nele. Percebeu que se tratava de uma pedra preciosa e que devia ter um grande valor.

 Por instantes, a sua cabeça começou a sonhar com tudo o que poderia fazer se vendesse o brilhante, mas depois pensou que aquela pedra era uma espécie de oferta do céu e que devia cuidar dela e usá-la apenas em caso de emergência.

O camponês terminou a sua tarefa e voltou para casa, levando consigo o diamante.

Teve medo de guardar a jóia em casa, portanto, quando anoiteceu, saiu para o jardim, fez um buraco na terra, entre os tomateiros, e enterrou o diamante. Para não se esquecer de onde enterrara a jóia, assinalou o lugar com uma rocha amarelada que encontrou por ali.
Na manhã seguinte, o camponês chamou a mulher, mostrou-lhe a rocha e pediu-lhe para nunca mudar a pedra do sítio. A mulher perguntou-lhe porque é que aquela rocha tinha de ficar no meio da sua horta. O camponês, não se atreveu a contar-lhe a verdade, com medo de preocupa-la, por isso disse-lhe:

- Esta pedra é muito especial. Enquanto estiver nesse lugar, entre os tomateiros, teremos sorte.

A mulher não pôs em causa aquele desconhecido fervor supersticioso do marido e entreteve-se a cuidar dos tomateiros.

O casal tinha dois filhos: um menino e uma menina. Um dia, quando a menina tinha dez anos, perguntou à mãe o que era aquela pedra no jardim.

- É para dar sorte - explicou a mãe. E a menina aceitou a resposta.

Uma manhã, quando a menina ia a sair para a escola, aproximou-se dos tomateiros e tocou na rocha amarelada (naquele dia, tinha um exame muito difícil).
Por mero acaso, ou porque a menina fora para a escola com mais confiança em si, a verdade é que o exame lhe correu muito bem e a menina confirmou, assim, «os poderes» da pedra.

Naquela tarde, quando a pequenita voltou para casa, levou uma pequena pedra amarelada e colocou-a ao lado da outra.
- Que é isso? - perguntou a mãe.
- Se uma pedra dá sorte, duas hão-de dar-nos ainda mais - disse ela, com uma lógica indiscutível.

A partir daquele dia, sempre que a menina encontrava uma daquelas pedras levava-a para junto das anteriores.

Como num jogo de cumplicidades, ou talvez para acompanhar a sua filha, também a mãe começou, pouco tempo depois, a empilhar pedras junto às da filha.

O filho, por seu lado, cresceu com o mito das pedras enraizado na sua vida. Desde pequeno, tinham-lhe ensinado a empilhar pedras amareladas ao lado das anteriores.
Um dia, o menino trouxe uma pedra esverdeada e empilhou-a com as outras...
- Que significa isto, meu filho? - ralhou a mãe.

- Achei que a pilha ia ficar mais bonita com um toque de verde - explicou o rapaz.
- Nem pensar, filho. Tira já essa pedra de junto das outras.
- Porque é que não posso pôr esta pedra verde com as outras? - perguntou o menino, que sempre fora muito rebelde.
- Porque... eh... - balbuciou a mãe (ela não sabia porque é que só as pedras amareladas davam sorte. Lembrava-se apenas das palavras do marido, a dizer que «uma pedra como esta, entre os tomateiros, dá sorte» ).
- Porquê, mamã, porquê?
- Porque... as pedras amareladas só dão sorte se não houver pedras de outras cores por perto - inventou a mãe.
- Não pode ser - contra-argumentou o menino. - Porque é que não hão-de dar sorte estando junto das outras?
- Porque... eh... ah... as pedras da sorte são muito ciumentas.
- Ciumentas? - repetiu o jovem, com uma gargalhada irónica. - Pedras ciumentas? Isso é ridículo!
- Olha, não sei responder a essas perguntas sobre as pedras. Se queres saber mais, pergunta ao teu pai - disse a mãe.
E foi tratar dos seus afazeres, não sem antes tirar a intrusa pedra esverdeada que o rapaz trouxera.

Nessa noite, o menino esperou até tarde que o seu pai voltasse do campo.
- Papá, porque é que as pedras amareladas dão sorte? - perguntou, assim que o pai pôs o pé dentro de casa. - E porque é que as esverdeadas não dão? E porque é que as amarelas
dão menos sorte se houver uma verde por perto? E porque é que têm de estar entre os tomateiros?
...E teria continuado a fazer perguntas sem esperar pelas respostas, se o pai não tivesse levantado a mão a pedir silêncio.
- Amanhã, filho, vamos juntos para o campo e eu respondo às tuas perguntas.
- E porquê só amanhã...? - quis continuar o jovem.
- Amanhã, filho, amanhã - interrompeu o pai.

Na manhã seguinte, muito cedo, quando todos dormiam em casa, o pai aproximou-se do jovem, acordou-o com ternura, ajudou-o a vestir-se e levou-o para o campo.
- Olha, filho. Até agora não te contei isto, porque achava que não estavas preparado para saber a verdade. Mas hoje parece-me que cresceste, que já és um homenzinho e que estás em condições de saber uma coisa e guardar segredo enquanto for necessário.
- Que segredo, papá?

- Já to conto. Todas essas pedras estão entre os tomateiros para marcar um determinado lugar no jardim. Debaixo dessas pedras todas está enterrado um valioso diamante, que é o tesouro desta família. Não quis que ninguém soubesse, porque achei que teriam ficado preocupados. Como agora partilho este segredo contigo, terás a partir de hoje a responsabilidade de guardar o segredo familiar... Um dia, terás os teus próprios filhos e um dia saberás que um deles tem de ser informado do segredo. Nesse dia, levarás o teu filho para longe de casa e contar-lhe-ás a verdade sobre a jóia escondida, como hoje eu te estou a contar a ti.

O pai deu um beijo na face do filho e continuou.
- Guardar um segredo consiste, também, em saber quando é o momento e quem é a pessoa que pode ser digna dele.

Até chegar o dia da escolha, deves deixar que os outros membros da família, todos os outros, acreditem no que quiserem sobre as pedras amarelas, verdes ou azuis.

- Podes confiar em mim, papá - disse o jovem, e esticou-se para parecer mais alto.
...Passaram-se anos. O velho camponês morreu e o jovem fez-se homem. Também teve os seus filhos e, de entre todos eles, houve apenas um que soube, no momento certo, do segredo do brilhante. Todos os outros acreditavam na sorte que as pedras amareladas davam.

Durante anos e anos, geração após geração, os membros daquela família acumularam pedras no jardim da casa. Formara-se aí uma enorme montanha de pedras amareladas, uma montanha que a família honrava como se fosse um enorme talismã infalível.
Só um homem ou uma mulher de cada geração era depositário da verdade sobre o diamante. Todos os outros adoravam as pedras...
Até que um dia, vá-se lá saber porquê, o segredo se perdeu.
Talvez um pai tenha morrido subitamente. Talvez um filho não tenha acreditado na história que lhe haviam contado. A verdade é que, a partir daquele momento, houve quem continuasse a acreditar no valor das pedras e houve, também, quem questionasse aquela velha tradição. Mas nunca mais ninguém se lembrou da jóia escondida...

Este conto de I. L. Peretz, como todas as histórias, ajuda-nos a compreender e a dar sentido à vida. Trazem para bem perto de nós uma realidade que parece tão obscura, e que meramente se ilumina com a sua simplicidade.
Natal é por excelência uma época de luzes. Também nós podemos fazer brilhar uma luz, dando mais significado às pequenas coisas e desligarmos do valor real dos diamantes (pedras preciosas, mas raras).

Todos falamos em simples coisas, mas poucos são aqueles que as sabem encontrar. Um diamante, apesar da sua composição físico-química simples, é uma pedra rara, que às vezes teimamos em procurar.

Este conto mostra-nos que não precisamos de saber a verdadeira essência e grandiosidade das coisas ou das pessoas para podemos viver felizes.

Ptolomeu defendeu a teoria geocêntrica em que o Sol e as estrelas moviam-se em círculos, sendo o centro da trajectória a Terra. Copérnico, defendeu a teoria heliocêntrica, o Sol estaria em repouso e os planetas, incluindo a Terra, giravam em torno dele em órbitas circulares, mais tarde confirmada por Galileu.

Independente da verdade, sempre os nossos antepassados viram os Sol, as estrelas, e a lua, como nós hoje os vemos, e assim continuará a ser por muito mais tempo.

Se um dia dermos um sorriso e ensinarmos aos nossos filhos que aquela lua é a mesma que nos fez sorrir a nós e a eles, no futuro, por mais longe que esteja, mesmo que outra verdade seja, o sol, as estrelas e a lua, serão sempre os mesmos e, se nessa altura, quando alguém sorrir para a lua, como nós fizemos, nós também estaremos sorrindo com essa pessoa.


Eu apenas falei no sol, estrelas e lua, porque se mantêm assim duraste biliões de anos, mas aqui na terra existem as flores, o céu, as pedras e um quase infinito de coisas pequenas que quando as olhamos, seremos aqueles que as irão admirar no futuro, basta, tão pouco, só para isso, transmitir o nosso segredo aos nossos descendentes, para que eles possam sentir nessa altura o mesmo que sentimos, estando assim, a contribuir, para que não aconteça o que eu chamo «a queda do último império» – que são os sentimentos.
Por fim, atrevo-me a dizer, que sentindo tudo isto, estaremos todos perante aeternidade.

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contado por Jorge Oliveira às 21:50

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